Último concerto de Tony de Matos no Coliseu editado em DVD

O último espectáculo de Tony de Matos, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, realizado em Novembro de 1985, surge esta semana em DVD editado pela RTP e a Ovação.

Agência LUSA /
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O espectáculo foi idealizado depois de Tony de Matos - "o cantor de voz romântica", como se lhe referiu a poetisa Natália Coreia - ter actuado naquela sala em Junho do mesmo ano a convite de Vitorino num seu espectáculo.

Tony de Matos foi na década de 1960 uma das vozes mais populares e o artista que mais vendeu discos, depois de Amália Rodrigues.

Neste espectáculo, Tony de Matos passa em revista todos os seus êxitos nomeadamente "De homem para homem", "Vendaval", "Só nós dois", "Destino marca a hora", "Romântico", entre outros.

Carlos Seixas, que foi seu produtor musical nos últimos 25 anos, recordou à Agência Lusa "o espectáculo electrizante e a plateia apoteótica que foi o Coliseu nessa noite".

O espectáculo no Coliseu surge depois de um convite de Vitorino para Tony participar num concerto seu e "foi tal a reacção do público que se pensou num concerto só dele, o que foi um êxito".

Na década de 1980, Tony de Matos continuava a fazer o chamado "circuito da emigração", além de actuar numa casa de fados em Lisboa.

Neste concerto Tony de Matos é acompanhado por uma orquestra sob a direcção do maestro Shegundo Galarza e ainda por Raul Silva e (viola), Paquito (viola baixo) Nobre Costa e Fontes Rocha (guitarra portuguesa).

Os fadistas Maria da Fé e Carlos Zel são os dois convidados, de um espectáculo com cerca de hora e meia de duração.

Em declarações à Agência Lusa, Carlos Seixas afirmou que Tony de Matos "tinha um dom especial que tocava as pessoas pela sua entrega absoluta e a energia que colocava era tal que cativava".

"Um cantor romântico, como qualquer Aznavour ou Sinatra, com uma capacidade de dar sempre a entoação e a intenção certa a cada palavra, uma dicção clara, um timbre inimitável, compasso, e capacidade de estilar, fazendo o que chamamos `roubadinhos` sem sair da frase musical", explicou o produtor.

Por outro lado, a sua imagem de cantor romântico correspondia "a uma atribulada vida sentimental, sendo que o que ele cantava no palco era em parte a sua própria vida", rematou.

O DVD inclui ainda excertos de filmes onde o artista participou, nomeadamente "Rapazes de táxis" de Henrique de Campos (1962) onde contracenou com António Calvário, "O destino marca a hora", também de Campos (1970) desta vez ao lado de nomes como Isabel de Castro e Eugénio Salvador.

A estreia cinematográfica de Tony de Matos deu-se na década de 1950 num documentário sobre o castelo de Almourol, datando o seu derradeiro filme, "Derrapagem", de 1974.

Nesse filme, de Constantino Esteves, Tony de Matos contracenou com Io Apollonni, Helena Isabel e Lili Neves.

Tony de Matos, natural do Porto, viveu a sua infância na Companhia Desmontável de Teatro Rafael de Oliveira.

Ainda jovem fez sucesso num clube portuense interpretando "Cartas de amor" de outro cantor romântico, Alberto Ribeiro.

Em 1945 estreia-se aos microfones da Emissora nacional, três anos mais tarde por intermédio do fadista Júlio Peres actua no então muito reputado Café Luso, em Lisboa.

Em 1950, através do editor Manuel Simões grava o seu primeiro disco em Madrid.

Dois anos mais tarde, dá-se a sua estreia como "atracção nacional" no teatro de revista.

Ainda nesta década desloca-se o Angola e ao Brasil, onde regressa em 1957 para permanecer durante seis anos a cantar.

Em 1962 um disco seu, gravado no Brasil, chega às rádios portuguesas "e torna-se num estrondoso êxito que o leva a regressar para Portugal", recordou Carlos Seixas.

Do EP então editado constavam as canções "Só nós dois", "Procuro e não te encontro", "Vendaval" e "Lado a lado".

"Em 1964 encheu o Pavilhão dos Desportos, com um sucesso de púbico que poucos terão alcançado", frisou à Lusa Carlos Seixas.

O produtor salientou que "Tony não tinha apenas um público feminino, mas tocava sim todos os públicos pela autenticidade com que se entregava em cada interpretação e como vivia tudo o que cantava".

Tony de matos faleceu vítima de cancro no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a 08 de Junho de 1989, contava 65 anos.

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