"Portugal despede-se de um dos seus ícones". As reações à morte de Jorge Palma
As mensagens de condolências surgem de vários quadrantes da sociedade portuguesa. O presidente da República recordou "temas inesquecíveis", o primeiro-ministro disse que "Jorge Palma parte, mas a sua música fica" e músicos como Samuel Úria lembraram uma carreira marcada por "coisas absurdamente magistrais".
António José Seguro frisa que "os acordes, os ritmos e as melodias de temas inesquecíveis (...) recordarão o seu lirismo imprevisível e nunca de efeito fácil ou efémero".
"Herdeiro de tradições musicais e literárias muito diversas e complexas, por vezes inesperadas ou improváveis, Jorge Palma emprestou à música portuguesa um caráter único e uma busca incessante da beleza que construiu uma utopia da amizade, do amor, da generosidade – e do riso. De certa maneira, todos habitámos o seu bairro do amor, todos nos rimos com os seus versos, todos nos sentimos frágeis, todos prometemos continuar a ser aqueles que fomos quando cantámos as suas canções pela primeira vez ou quando elas deram sentido às nossas vidas", escreve o chefe de Estado, fazendo referência a algumas das músicas mais marcantes da carreira do músico.
Jorge Palma parte, mas a sua música fica.
— Luís Montenegro (@LMontenegro_PT) September 21, 2026
Fica nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações. Fica, sobretudo, na cultura portuguesa, que ajudou a transformar com a sua voz única e músicas intemporais.
Em meu nome e em nome do Governo, deixo à família e aos amigos as mais sentidas condolências.
“Era de facto um músico e um autor absolutamente extraordinário”, declarou Margarida Balseiro Lopes.
Portugal perdeu hoje um dos seus maiores músicos e compositores.
— José Luís Carneiro (@jl_carneiro) September 21, 2026
Jorge Palma deixa-nos uma obra extraordinária, feita de palavras, melodias e canções que atravessaram gerações e que ficarão para sempre na memória coletiva dos portugueses.
Homem livre, de uma criatividade singular e de uma autenticidade rara, fez da música também uma forma de celebrar a liberdade.
À sua família, aos seus amigos e a todos os que com ele fizeram caminho, deixo as minhas mais sentidas condolências.
Obrigado por tanto, Jorge Palma. A gente vai continuar.
“Pode parecer uma coisa disparatada e até egocêntrica de se dizer. Boa parte desses planos eram musicais”, revelou à RTP Antena 1, “mas também eram planos para escutá-lo, continuar a escutá-lo”.
“Ele fez tantas coisas absurdamente magistrais” e “era dotado de mãos olímpicas para as coisas mais eruditas, mas depois também tinha simplicidade para fazer o melhor folk que este país já escutou”, disse Samuel Úria.
“Para mim não morreu. Tenho estado a ver as imagens e ele fica. É um caso exemplar, único, inimitável”, disse à RTP Notícias. “Quem tem o percurso de vida que ele teve, quem foi consensual como ele foi, com um público absolutamente extraordinário”, desaparece fisicamente, mas “fica”.
Entre as suas características mais marcantes, “cultivava a boa educação, a temperança nas coisas, o modo como falava, como estimava os amigos”, enumerou Fernando Tordo. “Provocava bem-estar à volta dele”.
“Eu vejo-o como um grande resistente, à doença inclusive, à vida que levou, que foi sempre bastante diversificada e muito no limite”, disse à RTP Antena 1.
O vocalista dos Xutos e Pontapés realçou que Palma “tinha um jeito danado e especial para fazer esta habilidade” e “só temos de lhe agradecer todas as ideias que teve”.