"Uma das figuras maiores da arte portuguesa" - PCP
Lisboa, 11 Mar (Lusa) - O PCP lembrou segunda-feira o pintor e comunista Rogério Ribeiro, autor das ilustrações de um dos romances de Álvaro Cunhal, como "uma das figuras maiores da arte portuguesa" e "o combatente político pelas causas da emancipação humana".
Rogério Ribeiro morreu segunda-feira, aos 77 anos, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, devido a complicações cardíacas, revelou à Agência Lusa um amigo, o pintor David Almeida.
Em comunicado, divulgado no seu portal, o PCP recorda Rogério Ribeiro como "uma das figuras maiores da arte portuguesa", de "excepcional e multifacetada personalidade criadora".
"Ao legado da sua imensa obra plástica junta-se o do seu incansável trabalho de construtor e dinamizador cultural, o do pedadogo entusiasta, o do combatente político pelas causas da emancipação humana, o do resistente e dirigente comunista", refere a nota.
Natural de Estremoz, onde nasceu a 31 de Março de 1930, Rogério Ribeiro formou-se em Pintura na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa.
Antifascista, foi preso em 1958 pela PIDE (Polícia Internacional e Defesa do Estado) e viu-lhe negada autorização para exercer o cargo de assistente na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, onde mais tarde veio a dar aulas.
O escultor e pintor participou no Movimento de Unidade Democrática (MUD) Juvenil e nas lutas estudantis de 1962. Em 1975, aderiu ao PCP, onde foi membro do Comité Central entre 1983 e 1992.
Desde 1993, era director da Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea de Almada.
Do artista existem pinturas em azulejo no Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada, na estação dos comboios de Sete Rios, em Lisboa, na estação do metro de Santa Lucía, em Santiago do Chile, e no Arquivo Histórico Municipal de Usuqui, no Japão.
São da sua autoria as ilustrações do livro "Até Amanhã Camaradas", de Manuel Tiago, pneudónimo do antigo líder comunista Álvaro Cunhal.