Umberto Eco ganha Prémio Reino de Redonda pelo conjunto da obra
Madrid, 11 Abr (Lusa) - O ensaísta e romancista italiano Umberto Eco, um dos intelectuais europeus mais prestigiados, ganhou hoje o Prémio Reino de Redonda pela "incrível agudeza dos seus ensaios" e pela sua "quase incomensurável erudição e curiosidade infatigável".
Estes foram alguns dos motivos apresentados pelo júri deste galardão, criado em 2001 pela editora Reino de Redonda, fundada pelo escritor espanhol Javier Marías, para distinguir anualmente a obra de um escritor ou cineasta estrangeiro e de língua não-espanhola.
O premiado de 2008 mereceu também a distinção "pela sua capacidade de renovação dos géneros novelísticos clássicos, aos quais deu impulso, originalidade e nova longuíssima vida, do romance histórico ao policial, do de mistério ao fantástico e mesmo ao de ficção científica".
Nascido em Alessandria (Piemonte, Itália) em 1932, Umberto Eco tem mais de 50 obras publicadas, a maioria das quais traduzida em português.
Entre os seus ensaios, figuram "Obra Aberta", "O Super-Homem das Massas", "Os Limites da Interpretação", "Leitura do Texto Literário: Lector in fabula"" e o recente "Dizer Quase a Mesma Coisa: Sobre a Tradução".
"O Nome da Rosa" foi o romance que o consagrou mundialmente, tendo-se seguido títulos como "O Pêndulo de Foucault", "A Ilha do Dia Antes", "Baudolino" e "A Misteriosa Chama da Rainha Loana".
Eminente semiólogo, romancista, Prémio Príncipe das Astúrias e doutor "honoris causa" por 25 universidades de todo o mundo, Eco é também um grande estudioso de James Bond e Sherlock Holmes.
Quando soube que lhe tinha sido atribuído o Prémio Reino de Redonda, o escritor declarou-se "feliz de passar a fazer parte desse reino" imaginário patrocinado por Marías e, dado que também ele escreveu sobre "uma ilha que não existe", adoptou o título de "Duque da Ilha do Dia Antes".
"No meu romance `A Ilha do Dia Antes`, falei de uma ilha inacessível, não só no espaço, como Redonda, como também no tempo, só que a minha ilha estava deserta, ao passo que me dei conta de que Redonda está povoadíssima de ilustres amigos que me acompanharão enquanto a olho de longe", disse Eco em reacção ao prémio.
Outros autores distinguidos com o Prémio Reino de Redonda - e que, portanto, fazem parte desta particular nobreza literária - são George Steiner, Ray Bradbury, Claudio Magris, Alice Munro e J. M. Coetzee, o primeiro a recebê-lo, em 2001, com o título de "Duque de Deshonra".
ANC.-