Universidade de Coimbra investe sete milhões no antigo Colégio da Trindade
Coimbra, 05 set (Lusa) - A Universidade de Coimbra (UC) anunciou hoje o início das obras de reabilitação do antigo Colégio da Trindade, edifício datado do século XVI e considerado a última "grande ruína" da Alta universitária, elevada a Património Mundial da UNESCO.
Com um custo global de cerca de sete milhões de euros, as obras são financiadas pelo Programa Mais Centro e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) da União Europeia e devem estar concluídas no segundo semestre de 2015.
"É uma grande satisfação ver que, finalmente, a última grande ruína da alta universitária vai desaparecer, dando lugar a um edifício que vai permitir aliviar uma parte importante da carência de instalações da Faculdade de Direito, em particular do seu recém-criado Instituto Jurídico, e instalar o Tribunal Universitário Judicial Europeu, uma das mais novas Unidades Orgânicas da UC", afirma o reitor João Gabriel Silva, citado num comunicado da instituição.
O Colégio da Trindade situa-se entre o Paço das Escolas da UC e a Couraça de Lisboa, em plena zona classificada de Património Mundial da UNESCO, tendo sido construído no século XVI para servir a Ordem da Santíssima Trindade para a Redenção dos Cativos, cuja missão inicial era conseguir a libertação dos cristãos aprisionados durante as cruzadas, passando depois a colégio.
Segundo o reitor da UC, "durante o século XX houve muitos planos para a utilização do Colégio da Trindade, sempre inconsequentes. O Estado Novo, por exemplo, embora o tenha poupado à vaga de demolições que fez desaparecer muita da cidade antiga, não lhe deu qualquer uso relevante, apesar de ter chegado a determinar a sua utilização como residência universitária".
"Não admira que o longo processo de degradação do edifício tenha culminado, em 1988, com uma grave derrocada da fachada sul da igreja do Colégio", sublinha.
João Gabriel Silva explica que, no início do século XXI, a UC "libertou o edifício de alguns usos residuais, promoveu sucessivas intervenções arqueológicas (a última das quais termina esta semana) e determinou, por decisão do reitor Seabra Santos, a elaboração de um projeto de recuperação, da autoria da dupla de arquitetos, Francisco e Manuel Aires Mateus, que agora se vai concretizar.