Vargas Llosa reconhece que não conseguiu ler "D.Quixote" à primeira
O escritor peruano Mario Vargas Llosa, que assina o prefácio da nova edição de "D.Quixote", reconheceu que não conseguiu entender a obra de Cervantes quando, sendo estudante do secundário, tentou lê-la pela primeira vez.
A edição de "D.Quixote" que Vargas Llosa prefacia tem mais de 1.250 páginas e constitui um ponto de partida para as celebrações do quarto centenário da obra de Cervantes promovidas pela Real Academia Espanhola.
A propósito deste clássico da literatura espanhola e universal, o autor peruano admitiu que estava no penúltimo ano do ensino secundário quando tentou ler o livro e que desistiu, tendo "a quantidade de palavras cujo significado não entendia" e a "retórica" presentes na obra conseguido afastá-lo daquela leitura.
Numa entrevista ao diário argentino Clarín citada pela agência EFE, o autor de "Conversa na Catedral" recordou que, quando já se encontrava na universidade, tomou contacto com o livro "La ruta de Don Quijote" do escritor espanhol José Martínez Ruiz Azorín, que o induziu "de maneira quase irresistível" a regressar a "D. Quixote".
Foi só então que o escritor - segundo o qual uma personalidade formada por boas leitura garante um maior espírito crítico, "o que é muito bom para uma sociedade democrática" -, pôde desfrutar plenamente do livro e compreender a riqueza do texto cervantino.
Por se encontrar em Paris para receber um doutoramento "honoris causa", o escritor faltou ao III Congresso Internacional da Língua Espanhola, que decorreu a semana passada na cidade de Rosario, Argentina e onde foi apresentada a edição popular de "D.Quixote", publicada pela editora Alfaguara.