Venda de escravos "ensombra" vila em regresso ao passado
Os juízos eclesiásticos e a venda de escravo s voltam a "ensombrar" a vila alentejana de Almodôvar (Beja), que será invadida por bobos, saltimbancos e mendigos durante o segundo Mercado Medieval, um regres so ao passado que começa sexta-feira.
O mercado, promovido pela Câmara de Almodôvar, vai decorrer até domingo no centro histórico desta vila do distrito de Beja, abrangendo toda a Praça da República e ruas adjacentes.
Sílvia Baptista, vereadora da cultura da autarquia, explicou hoje à Agê ncia Lusa que o mercado "pretende proporcionar um regresso ao passado", mais pre cisamente ao ano de 1285, quando foi outorgado, por D. Dinis, o foral à vila de Almodôvar.
Desta forma, continuou, "queremos celebrar os 721 anos da atribuição do foral, voltando à Idade Média através do contacto com personagens, ambientes e vivências típicas da época".
No mercado, que abre sexta-feira às 15:00, vão encontrar-se vários prod utos tradicionais, comeres e beberes nas cerca de 70 tendas e tavernas, que no p rimeiro dia recebem a visita de fiscais e meirinhos, os antigos oficiais de just iça.
à noite, num pequeno estrado, palco típico da época, instalado na praça , a companhia de teatro "Viv`arte", especializada em recriações históricas, apre senta uma recriação da Lenda do Castelinho.
"Trata-se de uma lenda associada ao sítio arqueológico da Mesa dos Cast elinhos, situado na freguesia da Santa Clara-a-Nova, no concelho de Almodôvar", explicou Sílvia Baptista.
No sábado, a partir das 14:00, o mercado irá recuperar as típicas venda s de escravos da Idade Média e organizar um cortejo histórico pelas ruas de Almo dôvar, que irá repetir-se domingo, onde participam cerca de 250 pessoas trajadas a rigor com as vestes da época.
Um torneio de armas, com demonstrações de tiro ao arco, é o espectáculo agendado para a segunda noite do mercado.
No domingo, o último dia, Almodôvar vai voltar a ser "ensombrada" por u ma recriação de um juízo eclesiástico de malfeitorias e heresias.
"Os tribunais eclesiásticos eram importantes na idade média, já que se pronunciavam sobre todos os assuntos que directa ou indirectamente vinculavam à Igreja, como contratos celebrados sob juramento, testamentos, questões referente s a órfãos, viúvas, bruxarias e sacrilégios", precisou Sílvia Baptista.
Durante os três dias, contadores de histórias, bailes à desgarrada, acr obacias, trejeitos e ditos cómicos a cargo de bobos, jograis e saltimbancos, art istas que divertiam os senhores feudais na Idade Média, vão animar as ruas do me rcado.
O evento termina domingo à noite, com dois concertos, um do grupo franc ês "In Taberna" e outro dos marroquinos "Al Caravan".