"Viajar com... Camilo Castelo Branco" apresentado quarta-feira
A obra "Viajar com Camilo Castelo Branco" de Aníbal Pinto de Castro e José Manuel Oliveira, é apresentada quarta-feira em Vila Nova de Famalicão, integrando-se nas comemorações dos 180 anos do seu nascimento.
Esta obra integra-se na colecção "Viajar com... Os Caminhos da Literatura", da responsabilidade da Delegação Regional da Cultura do Norte e das Edições Caixotim, e procura traçar os caminhos que o escritor trilhou quer na sua vida quer na obra literária.
A obra é apresentada quarta-feira à tarde na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão, e conta com a presença do presidente da Câmara, Armindo Costa, do delegado Regional de Cultura do Norte, Costa Leite, do director do Centro de Estudos Camilianos, Aníbal Pinto de Castro e de Paulo Samuel, director das Edições Caixotim.
Além de dar a conhecer Camilo, esta obra prefaciada pelo escritor Mário Cláudio fixa os espaços de inspiração literária, a topografia registadas nas suas várias obras e o que se lê "nas entrelinhas da escrita" camiliana.
Natural de Lisboa, a paisagem das teias romanescas de Camilo é quase sempre o Norte, nomeadamente o Douro Litoral, o Minho e as Beiras.
Camilo entra pela primeira vez nesta região do país em 1836.
Em Vilarinho de Samardã terá passado "os primeiros e únicos felizes anos" da sua mocidade como escreveu.
Ao longo deste roteiro são referenciadas obras como "Anátema", "Amor de perdição", "Novelas do Minho", "Coração, Cabeça e Estômago", "Maria Moisés", "Doze casamentos felizes" e várias outras de onde se retiram descrições da geografia dos lugares onde Camilo fazia mover as suas personagens e correr a ficção.
A obra integra-se num projecto da Delegação Regional de Cultura do Norte que visa promover os recursos culturais da região, através dos escritores que com ela estabeleceram fortes ligações.
Camilo Castelo Branco suicidou-se em São Miguel de Ceide (Vila Nova de Famalicão) em 1890, desesperado por ter cegado e consequentemente não ser capaz de escrever.
Apesar de sempre acompanhado por Ana Plácido - o seu último grande amor - Camilo afirmava ter a necessidade de sentir a narrativa enquanto a escrevia, não gostando de apenas a ditar.
Camilo Castelo Branco, feito visconde pelo Rei D. Luís, em 1885, viveu sempre do que escreveu, quer fossem romances, novelas, teatro ou poesia, e ainda artigos em vários jornais.
O escritor morreu com graves dificuldades financeiras, tendo necessitado de leiloar a sua biblioteca em 1883, para sobreviver.
Entre outros títulos a editar pela Planeta DeAgostini, refira- se "A Brasileira de Prazins" (1882), "Eusébio Macário" (1879) "Amor de perdição" (1862) ou "O retrato de Ricardina" (1868).
Os historiadores da literatura são unânimes em considerar Camilo "o primeiro escritor profissional português", pois viveu sempre do que escreveu tendo publicado a um ritmo qualificado de "frenético".
No total, até à sua morte a 01 de Junho de 1890, publicou mais de uma centena de títulos para além dos variados artigos espalhados por diversos periódicos.
A obra de Camilo é grande parte fruto do seu percurso biográfico, marcado por grandes agitações, instabilidade, raptos, faltas de dinheiro, e uma constante em toda a sua obra o conflito entre a "paixão" e a "razão".