Vida de Julius Fromm, inventor do preservativo, publicada em livro
A vida de Julius Fromm, um filho de judeus russos emigrados para Berlim que, há quase 100 anos, inventou o preservativo, e mais tarde seria expropriado pelo regime nazi, foi passada a livro por dois jornalistas alemães.
Fromm só tinha frequentado a instrução primária, na viragem para o Século XX, na grande metrópole alemã, mas mais tarde inscreveu- se num curso nocturno para aprender Química e teve a ideia de fabricar preservativos, passando rapidamente à fase de industrialização.
"Foi numa época em que ocorreu uma grande liberalização dos costumes, e por isso Fromm chegou ao mercado na altura certa", afirmou hoje, em Berlim, na apresentação do livro, um dos dois autores, Michael Sonntheimer.
O tempo estava maduro para as pessoas começarem a usar o "Frommser", nome do primeiro preservativo de marca feito na revolucionária fábrica, que derivava do nome do seu inventor Julius Fromm.
"Era uma consequência da vida boémia na Alemanha, mas também da Primeira Guerra Mundial", explicou Goetz Aly, co-autor da obra.
Nos bordéis do exército, o uso do preservativo passou a ser obrigatório, os médicos militares zelavam para que as doenças venéreas não se propagassem, e foi assim que a gente simples, os filhos dos camponeses, souberam pela primeira vez que havia meios contraceptivos, e como é que deviam usá-los.
Fromm chamou à sua firma "Fromms Act", dando ao nome um duplo significado, numa alusão clara ao acto sexual.
Além de artigos de borracha de toda a espécie, na "Fromms Act" produziam-se preservativos, à impressionante média de 150 mil por dia.
O que começou por ser uma fabriqueta em que só trabalhava o dono depressa se tornou uma empresa moderna, com centenas de trabalhadores.
O método inventado por Fromm, e que ainda hoje se utiliza, era simples: mergulhar tubos de vidro numa solução de borracha, que depois de arrefecer e secar formava preservativos finos e sem costuras.
O negócio ia de vento em popa, ainda que Fromm só anunciasse em revistas técnicas, e não falasse em contraceptivos, mas sim em "artigos de saúde", contra infecções e doenças venéreas.
Edgar Fromm, filho de Julius Fromm, entretanto também já falecido, contou ainda aos autores do livro sobre a vida do pai que o chefe da publicidade uma vez perguntou a Julius Fromm: "o que é que vou escrever mais, se já temos 90 por cento de quota de mercado?". E o industrial respondeu: "Diga que a concorrência está a rebentar!".
Quando os nazis subiram ao poder, em 1933, Fromm pensava que seria poupado, porque tinha nacionalidade alemã.
"Os Hitlers vêm e vão", terá dito certa vez, segundo o seu filho Edgar, no livro agora publicado.
Mas não foi assim. Fromm foi obrigado a vender por uma quantia irrisória a sua fábrica à segunda figura do regime nazi, o marechal Hermann Goering, e refugiou-se em Inglaterra.
Depois da II Guerra Mundial, a família Fromm requereu a devolução da fábrica, situada em Berlim-leste, mas as autoridades comunistas confiscaram-lhe as instalações, desta vez por o consideravam um capitalista.
Os filhos de Fromm abriram um novo negócio em Inglaterra, mas tiveram de comprar os direitos da sua própria marca, dos preservativos inventados pelo pai.
Quanto a Julius Fromm, alegrou-se tanto com a queda do regime nazi, que teve um ataque cardíaco, e faleceu três dias após o fim da guerra, a 11 de Maio de 1945, em Berlim.