Vídeo de 1933 mostra rainha Isabel II a fazer saudação nazi

Um momento de família, um vídeo no jardim e uma saudação nazi. Estes três elementos estão a ser o foco da imprensa dado que o protagonismo pertence à família real britânica. As imagens captadas em 1933 foram agora divulgadas pelo tablóide The Sun.

RTP /
Toby Melville, Reuters

O Palácio de Buckingham recusou-se a participar no debate sobre o vídeo privado da família real. Afirmou que estava desapontado pela forma como o filme foi “explorado” por The Sun.

Os assessores da realeza abriram um inquérito sobre a divulgação do vídeo de 17 segundos. A investigação feita sobre o caso pode vir a concluir que se tratou de um crime.

Desde a publicação, a pressão para a abertura do arquivo tem aumentado. Vários deputados e historiadores querem abrir os arquivos oficiais da monarquia britânica.

Os historiados afirmam que a investigação de algum do material, que remonta a mais de 250 anos, pode acrescentar conhecimento ao país e fornecer contexto histórico para as ligações entre alguns dos principais membros da realeza.

“Tornar acessíveis aspetos dos primeiros anos da rainha não vai causar dano ao respeito pela monarquia. Só pode reforçar a sua ligação com o público”, disse Mark Almond ao Guardian. O historiador defende que “este filme lembra-nos dos muitos desafios que este país superou nas últimas oito décadas”.
“Esta é uma informação que devia ter sido do domínio público há 50 anos”
Acredita-se que as imagens a preto e branco foram filmadas pelo pai de Isabel II – na altura o futuro Rei Jorge VI – na propriedade Balmoral, na Escócia.

No vídeo, a atual Rainha, com seis ou sete anos, levanta a mão direita no ar imitando a sua mãe, a Princesa Margarida. O grupo de príncipes que brincava no jardim estava, aparentemente, a ser ensinado por Eduardo VIII.

Após ter saído a capa do jornal com a fotografia do vídeo, no sábado, a rainha, hoje com 89 anos, apareceu por pouco tempo em público. No domingo de manhã deslocou-se no seu carro, do Castelo de Windsor para uma igreja próxima.

Segundo o Telegraph, as imagens podem ter passado acidentalmente de documentaristas para o Sun. Dado que a Rainha comemora 90 anos no próximo ano, existem muitos meios de comunicação a tentar criar o seu perfil.

“Esta é uma informação que devia ter sido do domínio público há 50 anos. Os arquivos reais contêm questões de Estado. O papel do monarca não é uma questão puramente pessoal”, disse Karina Urbach, do Institute of Historical Research.

Ingrid Seward, biógrafo e editor da revista Majesty, acrescentou: “O reinado da rainha torna-se o maior da Grã-Bretanha em setembro e qualquer informação nova sobre ela, por mais distante que seja, é de enorme interesse. Imagens de arquivo aumentam o nosso conhecimento acerca dela. Seria ótimo vermos mais.”
A origem das imagens
Os arquivistas do British Film Institute estão a tentar perceber qual a origem das imagens, e se estas foram guardadas na casa de campo da duquesa de Windsor, em Paris.

O recheio da casa foi comprado por Mohamed Al Fayed, ex-proprietário da Harrods, depois de a duquesa ter morrido, em 1986. Mais tarde foi leiloado na Sotheby, em 1998.

Os 44 mil bens foram considerados “o maior tesouro de posses reais vendido em leilão”. A coleção rendeu mais de 14 milhões de libras (cerca de 20 milhões de euros) - dinheiro que foi doado a instituições de caridade apoiadas pela princesa Diana.

As reações à publicação têm sido diversas. A maioria dos meios de comunicação social tem concordado com a decisão do jornal britânico, pelo interesse público do conteúdo. Porém, o jornal alemão Bild acusou o Sun de apenas querer chocar os leitores. “Seria claro que uma menina iria fazer o que o seu tio lhe disse”, escreveu o jornal.
Simpatia pelo regime nazi
Segundo os historiadores, o rei Eduardo VIII simpatiza com a ascensão do fascismo na Alemanha – facto que, segundo a BBC, é um embaraço para a família real.

O tio da rainha Isabel II ficou apenas 11 meses na posse da coroa. Depois de se envolver com Wallis Simpson, uma mulher americana divorciada, viu-se obrigado a abdicar do título de rei e passou a ser duque de Windsor.

Eduardo VIII sempre exibiu alguma simpatia pelo regime alemão – mesmo antes de ascender ao trono como ficou provado no vídeo. Para alguns investigadores, o duque via nos nazis a intenção da luta contra o comunismo.

Em 1937, contrariando as recomendações do Governo britânico, fez uma visita à Alemanha acompanhado pela sua mulher. Nesta viagem foram vistos a fazer uma saudação nazi, além de serem fotografados ao lado de Hitler.
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