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"Voz grave" e tradição no canto da cabo-verdiana Gabriela Mendes

"Voz grave" e tradição no canto da cabo-verdiana Gabriela Mendes

Duas guitarras, um baixo, uma bateria e um piano fazem o acompanhamento e ela, a cabo-verdiana Gabriela Mendes, canta, na sua "voz grave", sem pose, mornas, "esse `blues tornado universal por Cesária Évora", escreve o Libération.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Gabriela Mendes pertence - refere o jornal, a propósito de um concerto da cantora em Paris - à nova onda cabo-verdiana, mas mantém-se próxima da tradição. Com a sua voz grave, ela retoma o património da morna, esse ´blues´ tornado universal por Cesária Évora, sem disfarces pop".

À vontade na morna, a cantora, 34 anos, "honra também a coladeira, prima creoula da `biguine` antilhesa".

Gabriela Mendes nasceu no Mindelo, a cidade de Cesária, na ilha de São Vicente.

"Eu via-a a caminho da escola - contou ao jornal - Ela cantava nos bares. Eu retomei as suas canções".

A jovem cantora começou por ser solista no coral da Salesiana, escola de onde saíram vários nomes sonantes da música de Cabo Verde, como Tito Paris, Paulino Vieira e Bau, e aos 17 anos partiu com um namorado para a Suécia, a primeira etapa de uma ausência de dois anos que a levaria depois à Costa Rica e aos Estados Unidos.

De regresso a Cabo Verde, arranja um emprego de secretária no Mindelo mas acaba por partir para a ilha do Fogo, onde um músico lhe elogia a "bela voz" e onde vê e ouve pela primeira vez em palco Cesária Évora.

O ano era 1998 e foi decisivo na sua vida. "Quis imediatamente - lembrou - fazer como ela [Cesária Évora]" e, com essa ideia assente, regressou ao Mindelo e pediu "ajuda" a Bau (nome artístico de Rufino Almeida).

Autor de "Raquel", a música de fecho do filme "Fala com ela", do realizador espanhol Pedro Almodóvar, Bau acabará por realizar o primeiro álbum de Gabriela.

O passo seguinte, nos anos 90, levou-a aos bares, clubes e hotéis do arquipélago, onde acabará por se tornar conhecida como "uma cantora espontânea e ligada à tradição", antes de se apresentar em festivais locais e na Europa.

"A tradição - disse ao Libération - É isso que eu gosto de cantar, embora tenha no meu estilo pequenas fusões com o Brasil, África, mas sem pôr de lado as raízes".

Na sua opinião, "muitos cabo-verdianos têm dificuldade em assumir-se como africanos", o que não é - assevera - o seu caso.

"Eu digo que sou africana - afirma - Quanto mais isto se assume, melhor a pessoa se sente. Temos muito a ganhar se vivermos em harmonia com as nossas diferenças".

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