Vozes em destaque no 17º Guimarães Jazz

Porto, 12 Nov (Lusa) - O quarteto de Kurt Elling, considerado uma das mais eminentes vozes do jazz actual, abre quinta-feira, no Centro Cultural Vila Flor, o 17º Guimarães Jazz, que tem na voz um elemento em destaque, disse hoje à Lusa fonte da organização.

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Ivo Martins, da organização do festival, disse que "a primeira série de concertos foi estruturada seguindo uma ideia que assenta na diversidade de estilos e na multiplicidade das formas.Para além das suas próprias singularidades, as escolhas da primeira semana do Festival têm como elemento agregador a predominância da voz, experimentada sob diferentes abordagens e contextos".

O festival abre, quinta-feira, com Kurt Elling, uma voz de barítono com uma extensão de quatro oitavas, que representa "a visão clássica de cantor de jazz, acrescida de novas ideias nas reinterpretações do legado musical dos grandes nomes da história do jazz cantado".

Para além dos concertos, o Guimarães Jazz 2008 apresenta também um amplo programa de actividades que inclui as já habituais e muito concorridas jam sessions, oficinas de jazz, uma conferência com Django Bates, exposições e cinema, entre outras.

O saxofonista Steve Coleman, que se apresenta sexta-feira com a sua banda, os Five Elements, é um dos nomes fundamentais da M-Base, um movimento que engloba uma filosofia de criação musical, expressando experiências através da estrutura da composição e da improvisação.

O pianista britânico Django Bates apresenta sábado StorMCHaser, o seu novo projecto para orquestra, com 19 elementos de origem nórdica, em que "a música encontra pontes e contactos com toda a espécie de objectos sonoros do quotidiano, enquanto a voz é utilizada para passar mensagens mordazes através de um apurado sentido de humor".

No segundo fim-de-semana, o programa mantém um conjunto de pontos musicalmente identificativos e já desenvolvidos em anos anteriores, acrescidos de mais uma nova experiência musical produzida por um projecto para grande orquestra, nunca antes apresentado.

A começar a segunda volta de concertos está o Quinteto de Marcus Strickland (quarta-feira, dia 19), liderado por um dos mais novos e promissores instrumentistas do jazz actual, um concerto que dá sequência à prática do Guimarães Jazz em "dar a conhecer músicos em ascensão na cena jazzística internacional".

Segue-se, quinta-feira (dia 20), uma celebração daquele que seria o 70º Aniversário de Lee Morgan, um dos mais importantes trompetistas do hard bop, falecido prematuramente em 1972, aos 34 anos, baleado pela sua própria mulher, durante um intervalo entre dois "sets", numa cena de ciúmes, no famoso clube de jazz nova-iorquino Slug`s.

Esta comemoração junta um septeto notável de hard-boppers, destacando-se as presenças de Bennie Maupin (sax-tenor e clarinete baixo) e Billy Harper (sax-tenor) e Billy Hart (bateria), músicos que tocaram com Lee Morgan, além de Larry Willis (piano) David Weiss (trompete) e Cecil McBee (contrabaixo).

O Kenny Barron Trio, em que aquele que é considerado como um dos maiores pianistas de jazz de sempre é acompanhado por Kiyoshi Kitagawa no contrabaixo e Johnathan Blake na bateria, apresenta-se dia 21, reafirmando o interesse do Guimarães Jazz em explorar "o piano trio como proposta fundamental e essencial na determinação da identidade deste Festival".

O festival termina com a Metropole Orchestra (sábado, dia 22), que traz um grupo alargado de 60 músicos (incluindo uma secção de cordas tipo orquestra clássica), sob a direcção de Vince Mendoza, um dos mais importantes compositores e arranjadores da actualidade, com o baterista Peter Erskine como solista convidado.

Esta orquestra, fundada em 1945 por Dolf van der Linden, na Holanda, dedica o concerto a composições da autoria de Vince Mendoza, Wayne Shorter e Joseph Zawinul, incluindo "temas fundamentais do legado do jazz adaptados e arranjados para grande orquestra".

PF.

Lusa/Fim


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