Yolanda Soares em CD de estreia modifica o fado e torna-o barroco
A cantora Yolanda Soares aproveitou a sua experiência do Conservatório de Música e produziu um CD em que o fado surge com sonoridades barrocas, construindo um universo próprio, com espaço até para a bateria electrónica.
Trata-se do seu álbum de estreia, a editar dia 13 com a chancela da Universal Music, no qual Yolanda interpreta três inéditos e recria fados como "Lágrima", "Zanguei-me com o meu amor", "Medo", entre outros de Amália Rodrigues, e "Maria Madalena" de Lucília do Carmo.
"Não fiz fado sinfónico e nisso fui original, modifiquei o fado e tornei-o barroco, dei-lhe referências clássicas e juntei ainda bateria electrónica", explicou à Lusa a cantora.
A opção do fado "não foi por moda" mas pelo facto de ele "ser a nossa grande força musical e por querer juntar a grande força universal que é a música clássica", disse.
Por outro lado, esta escolha é um encontro com as raízes de Yolanda, cujos pais, Fernando e Milú Soares, são fadistas amadores.
Os temas escolhidos já os ouvia cantados pelos pais, e ela mesma interpretou-os no registo tradicional, isto é, apenas acompanhada à guitarra portuguesa e à viola.
"Fui às minhas origens buscar influências e, como já conhecia os fados e gostava das letras, escolhi estes, além dos três inéditos", disse.
Surgem assim "num registo barroco e teatral" fados como "Meu amorÓ meu amor" (José C. Ary dos Santos/Alain Oulman), "Meia-noite, uma guitarra" (Álvaro Duarte Simões), "Fui dar de beber à dor" (Alberto Janes) ou "Malmequer pequenino" (popular).
Nos meios tradicionais do fado onde cantam os seus pais, a artista afirma que não a olham como fadista, mas antes "como uma artista versátil", tanto mais que "o próximo CD será diferente, pois a Yolanda Soares será sempre uma surpresa", declarou.
Os inéditos do CD são "Amanhecer" e "Tema da Zu", com letra da própria Yolanda e música de Abel Chaves, que é também co-responsável deste projecto pois é o autor de todos os arranjos, e "A tua galera" de Fernando Soares.
O álbum foi gravado com uma orquestra checa. "É muito difícil - explicou - arranjar uma orquestra em Portugal, pois todas pedem muito dinheiro para gravar".
A cantora qualifica mesmo de "descomunais" os honorários apresentados para se gravar com orquestra.
Neste registo, Abel Chaves apostou no cravo, por a sua sonoridade se aproximar da da guitarra portuguesa, que também integra o conjunto de instrumentos que fazem o acompanhamento.
A parte da orquestra checa, a Youth Wild Philarmonics Orchestra of Prague, foi gravada na Alemanha, e Yolanda gravou a voz em Portugal, tal como a cravista Jenny Silvestre.
Yolanda não adianta data para apresentação ao vivo deste trabalho, mas aposta na sua internacionalização dada a "boa resposta" que teve dos diversos agentes internacionais na Womex, realizada há duas semanas em Sevilha (Sul de Espanha).