0posição satisfeita com decisão do PGR de mandar abrir inquérito ao buraco financeiro da Madeira

0posição satisfeita com decisão do PGR de mandar abrir inquérito ao buraco financeiro da Madeira

Funchal, 21 set (Lusa) - Os responsáveis dos partidos da oposição na Madeira manifestaram a sua satisfação por a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter decidido hoje abrir um inquérito-crime para investigar o caso da ocultação de dívidas públicas na região.

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O presidente do PS-M, Jacinto Serrão, disse à Agência Lusa que a PGR "está a cumprir o seu papel de averiguar as responsabilidades de caráter criminal e atuar em conformidade nesta situação".

"Espero que o inquérito à gestão danosa do Governo Regional seja estendida aos órgãos de soberania que fizeram orelhas moucas àquilo que a oposição e, em particular, o PS vinha denunciando há muito tempo", acrescentou o líder socialista madeirense.

Defendeu ser "importante que todas as instituições do Estado funcionem para que a gestão da coisa pública seja feita com rigor".

"Só me posso congratular por a Procuradoria-Geral ter tomado finalmente uma iniciativa no âmbito das suas competências", disse por seu turno, o líder regional do CDS/PP e cabeça de lista às eleições legislativas regionais de outubro.

José Manuel Rodrigues fez votos para que a PG "investigue até o fim o que pode configurar um situação de crime e ocultação", sustentando que "as pessoas em causa, se não têm nada a temer devem ser as primeiras a pedir o levantamento da sua imunidade" para esclarecer todo este caso.

O cabeça de lista e coordenador regional da CDU, Edgar Silva, declarou que "tudo quanto se reporta ao buraco financeiro, ao endividamento, à dívida oculta, tudo o que tem a ver com uma gestão danosa dos dinheiros públicos, deveria requerer um rigoroso apuramento das responsabilidades não só politicas, mas eventual responsabilização criminal".

Edgar Silva adiantou que "há muito que o Ministério Público, além de outras entidades, já deveriam ter desencadeado outros mecanismos de intervenção relativamente, a todo este processo".

Roberto Almada, o responsável e candidato do BE-Madeira, sustentou que esta decisão "é o mínimo que se poderia esperar" da PGR, defendendo que "é preciso que seja mesmo realizada até ao fim a investigação para que os prevaricadores, nomeadamente o presidente do Governo Regional seja julgado e efetivamente punido por este crime de ocultação da dívida da Região".

O dirigente e cabeça de lista do MPT-Madeira, João Isidoro, frisou não ver "nada de anormal" nesta decisão, destacando que a PGR "está a fazer o seu dever".

"Espero que tudo seja esclarecido e que se encontre uma solução justa e que não penalize duplamente as famílias madeirenses", declarou.

Para o dirigente do PND-Madeira, Gil Canha, "a Procuradoria-Geral da República não só devia avaliar e averiguar o buraco financeiro, mas também o buraco democrático que se vive na Madeira que permite que Alberto João Jardim continue a misturar atos oficiais com propaganda política".

O candidato do Partido Trabalhista Português (PTP), José Manuel Coelho, considerou que esta decisão é "mais do justa, porque eles (Governo Regional) cometeram o crime e ocultaram o cadáver".

Também o cabeça de lista do PAN, Rui Almeida, apontou "não estar chocado" com a notícia da investigação e com a possibilidade de "haver consequências para quem faz má gestão dos dinheiros públicos", opinando que a "imunidade judicial dos políticos deve ser levantada para que sejam penalizados" nestes casos.

O procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, anunciou hoje que mandou abrir um inquérito-crime para investigar o caso da ocultação de dívidas públicas na Madeira.

Fernando Pinto Monteiro acrescentou que tomou a decisão depois de se ter reunido na terça-feira com o procurador junto do Tribunal de Contas.

No dia 17 deste mês a Procuradoria-Geral da República já tinha anunciado que ia analisar o caso da Região Autónoma da Madeira relativamente à omissão de dívidas.

A decisão da Procuradoria surgiu depois de o Instituto Nacional de Estatística e o Banco de Portugal terem divulgado um comunicado a dar conta de encargos financeiros assumidos pela Madeira que não foram nem pagos nem reportados.

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