180 operários da Marcopolo vão ficar no desemprego
A Marcopolo, empresa de carroçarias de autocarro, suspendeu ontem a laboração e anunciou que no dia 15 de Setembro vai encerrar a sua fábrica em Coimbra. A administração da empresa comunicou ainda a caducidade dos contratos de trabalho com os 180 funcionários.
Na passada segunda-feira, a administração da Marcopolo reuniu com a União dos Sindicatos de Coimbra onde comunicou a decisão de avançar com a caducidade dos contratos, assegurando que irá garantir os direitos dos trabalhadores bem como as indemnizações a que têm direito.
"A empresa disse que era uma posição irrevogável, mas entendemos que só para a morte é que não há solução", afirmou António Moreira, coordenador da União dos Sindicatos de Coimbra, à agência Lusa.
"A situação é delicada e dolorosa, e o sindicato tudo irá fazer para inverter esta caminhada", acrescentou o sindicalista que deixou a garantia de que irá "lutar pela manutenção dos cerca de 180 postos de trabalho na empresa".
António Moreira sublinhou que a administração da empresa argumentou "que se trata de uma questão de mercado" e não de "uma questão económica".
"Não será sensato, meramente por uma questão de lucro, encerrar uma empresa e pagar 2,5 a 3 milhões de euros de indemnizações", argumentou o sindicalista que afirma "não compreender esta decisão da Marcopolo" cuja empresa-mãe se situa no Brasil e fábrica de Coimbra era a única no espaço europeu.
Governador Civil de Coimbra apela à responsabilidade social da empresa
Henrique Lopes Fernandes, Governador Civil de Coimbra, revelou que "não se conforma com as consequências sociais deste encerramento" e apela, através de um contacto com um elemento da administração da Marcopolo "à responsabilidade social da empresa" e mostra-se confiante de que a "responsabilidade e reputação internacional da Marcopolo ajudarão a encontrar soluções a contento das partes envolvidas".
Numa nota de imprensa, o Governador Civil de Coimbra afirma "que tudo fará para ajudar na procura de alternativas que mantenham/recriem postos de trabalho, através de contactos já agendados com a administração da empresa, com a tutela e outros actores".
Presidente da Câmara apela à venda da unidade
Carlos Encarnação, presidente da Câmara de Coimbra, garante que existem interessados na compra da unidade e lançou um apelo à administração da Marcopolo para que venda a unidade de carroçarias de autocarro "se não a consegue aguentar".
"Compreendo tudo, mas não compreendo que se crie a teoria de caos para vender melhor as empresas", revelou o autarca à Lusa.
"Se não aguenta a empresa, aliene-a a quem a queira, uma vez que há interessados", frisou Carlos Encarnação que sublinhou que "há soluções para a empresa, e pessoas interessadas nela".
SINDEL afirma que administração não quer vender a fábrica
O Sindicato Nacional da Indústria e da Energia (SINDEL) afirma que um investidor belga, até agora o maior cliente da Marcopolo-Coimbra, esteve em negociações para a compra da fábrica até ao fim de Julho.
Segundo Juvenal Sousa, vice secretário-geral do SINDEL, o investidor comprometia-se a assegurar o posto de trabalho a 130 dos 180 trabalhadores e integrar, gradualmente, os restantes cinquenta.
"O investidor belga ofereceu 1,5 milhões de euros pelos equipamentos, e assumia as dívidas da empresa, no montante de três milhões de euros", sublinhou o sindicalista que acrescenta que "não percebe o que está por detrás".
Juvenal Sousa acusa ainda a administração da Marcopolo não quer vender a unidade "porque quer desmantelá-la e, eventualmente, levar os equipamentos para a Turquia"
"Os motivos invocados para o encerramento não serão razões financeiras nem económicas, mas sim razões de mercado, não havendo a intenção ou projecto de transmitir o estabelecimento para outras entidades", rematou.
A unidade da Marcopolo em Coimbra carroçava, há dois anos, um autocarro por dia.