72 minas de carvão na Mongólia reservadas pela China

Para enfrentar a crise energética, a China encomendou carvão em larga escala à vizinha Mongólia. O acordo implica que 72 minas no território mongol aumentem a produção de carvão em 100 milhões de toneladas. Com este reforço, Pequim espera travar o aumento de preço e escassez de energia elétrica, de forma a que o setor industrial não paralise.

Carla Quirino - RTP /
sxcoal/DR/Twitter

O ministério de energia da Mongólia listou as 72 minas de carvão, que até então tinham capacidade anual autorizada para produzir cerca de 178 milhões de toneladas.
A encomenda das autoridades chinesas implica que essa capacidade de extração aumente mais 98,35 milhões de toneladas, de acordo com a Reuters.
O aumento proposto representa quase três por cento do consumo total de carvão térmico da China.

O anúncio chegou a 7 de outubro, quando o departamento de energia regional da Mongólia Interior solicitou às cidades de Wuhai, Ordos e Hulunbuir, bem como à Liga Xilingol, que notificassem 72 minas que poderiam operar imediatamente nas capacidades mais altas estipuladas, desde que garantissem uma produção segura.

"Isso ajudará a aliviar a escassez de carvão, mas não pode eliminar o problema", disse Lara Dong, especialista em assuntos energéticos da IHS Markit. "O governo ainda precisará de aplicar racionamento de energia para garantir o equilíbrio dos mercados de carvão e energia durante o inverno", sublinhou Dong.
Produção de carvão na Mongólia | David Gray - Reuters

É a medida mais recente de Pequim para aumentar o fornecimento de carvão e contrariar os altos preços e escassez de energia. A ameaça de racionamento energético no país estava a começar a paralisar o setor da indústria.

Um negociante de carvão de Pequim, estimou que o aumento da produção pode levar entre dois a três meses para se materializar, e acrescentou: "Isso demonstra que o governo leva a sério o aumento da produção local de carvão para diminuir a escassez", citado na publicação The Guardian.
Reservas
As reservas de carvão nos principais portos chineses estavam em 52,34 milhões de toneladas no final de setembro. No início de outubro, registou-se uma queda de 18% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com os dados da Associação de Transporte e Distribuição de Carvão da China.

Nos primeiros dias de outubro, o porto ferroviário de Suifenhe registou a importação mais de 5.000 toneladas de carvão por dia, para suprir as necessidades energéticas.
Russia e Indonésia são alguns dos principais fornecedores externos.

Com as estações de outono e inverno, aproxima-se a temporada de aquecimento. O consumo de carvão já está a subir no nordeste da China. As grandes centrais produtoras de energia tem reservas para cerca de 10 dias de uso, abaixo dos mais de 20 dias do ano passado.

Para garantir o fornecimento de energia e aquecimento para os núcleos residenciais, a China reabriu dezenas de outras minas e aprovou novas áreas de produção de carvão.
Minas
A Mongólia Interior é a segunda maior região produtora de carvão da China. Forneceu pouco mais de mil milhões de toneladas em 2020, correspondendo a mais de um quarto do total nacional, segundo números oficiais.
Camiões carregados de carvão proveniente da Mongólia | sxcoal-DR-Twitter

Em 2020 a produção caiu oito por cento. Entre os meses de abril a julho deste ano, devido a uma investigação anticorrupção no sector do carvão iniciada no ano passado por Pequim, a exploração voltou a diminuiu porque os mineiros foram proibidos de produzir acima da capacidade aprovada.

A vizinha província de Shanxi, a maior região carbonífera da China, teve que fechar 27 minas de carvão esta semana por causa das inundações.
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