A castanha é o petróleo de Trás-os-Montes
O plantio, até 2030, de 60 hectares de castanheiros previsto na Estratégia Nacional da Floresta vai quintuplicar o rendimento anual da castanha em Trás-os-Montes, passando de 4,5 para 20 milhões de euros, disse hoje fonte universitária.
Segundo José Gomes Laranjo investigador da UTAD-Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, "a castanha é o petróleo da região, faltando-lhe apenas a criação de «refinarias» a montante, ou seja, o seu aproveitamento, com valor acrescentado, para outras finalidades para além da venda a quilograma".
"Esta região tem 85 por cento dos soutos de castanheiro existentes em Portugal, que ocupam 30 hectares em todo o País e produzem quase cinco milhões de castanhas por ano", salientou, frisando que, com a plantação de 60 mil hectares a produção transmontana atingirá os 15 milhões.
O docente universitário apresenta hoje na Aula Magna da UTAD, em Vila Real, um livro sobre o castanheiro, elaborado por 16 investigadores da UTAD, - e outros técnicos não-universitários entre os quais um espanhol - e que é resultado de mais de 20 anos de trabalho.
José Gomes Araújo defende que o crescimento da área de castanheiro na região cria condições para um maior aproveitamento do fruto, através de unidades de transformação nas áreas da doçaria, das compotas e da confeitaria, das farinhas e das cervejas, e do fabrico de «marron-glacé», uma iguaria obtida com adição de xarope de açúcar.
O especialista sublinha que Portugal, o quinto produtor actual no mundo, pode aprender com o bom aproveitamento das potencialidades da castanha já conseguida em países como a Espanha e a França, onde constitui uma riqueza agro-florestal de relevo.
"Temos de aproveitar enquanto há gente que permanece nas zonas rurais", avisa, frisando que o valor acrescentado da transformação da castanha criará, também, centenas de empregos, ajudando a fixar as pessoas na região.
Para além de Trás-os-Montes há áreas significativas de castanheiro nas Beiras e no Minho interior, cujos produtores podem beneficiar do estudo da UTAD, acentuou.
O livro agora editado tem carácter técnico, sendo o primeiro dado à estampa em Portugal nos últimos 50 anos sobre o castanheiro.
Contém indicações úteis para os engenheiros e produtores florestais, como as que versam as regras de plantio, a gestão e manutenção dos soutos, e de combate a doenças como a «tinta» e o «cancro» que atacam a árvore.
Foi editado pela UTAD, em parceria com a firma de Braga «Pulido Consulting» e o apoio financeiro do programa Agros.
A edição, com 380 páginas em formato A4, de que saem apenas 150 exemplares em papel, foi pensado para ser consultado em bibliotecas mas será amplamente divulgado, quer em formato digital (CD), quer através da editora "on-demand" ao preço da impressão.
A UTAD fornece gratuitamente todo o conteúdo aos estudantes, on-line (pdf) fazendo o mesmo aos produtores florestais através da Internet.
Nos próximos meses terá uma versão digital em inglês.