A nova dona da Google chama-se Alphabet

A mudança foi ontem anunciada através de uma publicação no blogue da Google. A Alphabet vai presidir a um conjunto de empresas.

RTP /
Dado Ruvic - Reuters

Larry Page e Sergey Brin, cofundadores da Google, entregaram o controlo do negócio a Sundar Pichai. A empresa de tecnologia passa agora a ser dirigida pela Alphabet.

“A nossa empresa está a trabalhar bem hoje, mas nós pensamos que podemos torná-la mais clara e mais responsável. Então, estamos a criar uma nova empresa, chamada Alphabet. Estou realmente animado” - foi desta forma que Larry Page anunciou a reestruturação.
Para a mudança foi criada a página abc.xyz. O novo website explica a completa história da decisão.


Na reforma radical da estrutura e da gestão corporativa da empresa, Brin ficará como presidente e Page como CEO. O número três da hierarquia será Eric Schmidt.

Omid Kordistani, antigo diretor de negócios, vai tornar-se conselheiro das companhias.

“O que é a Alphabet? A Alphabet é principalmente um conjunto de empresas. A maior das quais é, claro, a Google”, explicou o cofundador.

Nos últimos tempos, a Google tem investido no sector dos carros autónomos, dos dispositivos domésticos inteligentes e da investigação médica. A grande reestruturação vai dar aos investidores um maior conhecimento sobre a gestão do dinheiro.
“Maior escala de gestão”
A partir do momento da implementação, a Alphabet ficará com todo o capital social da empresa. As ações da Google serão automaticamente convertidas em ações da nova proprietária.

Horas depois da negociação, as ações da gigante tecnológica subiram cinco por cento.

“Fundamentalmente, acreditamos que isto nos permite uma maior escala de gestão, como podemos executar as coisas de forma independente”, escreveu Page.

Na renovação, a chamada Google vai incluir os negócios principais da empresa: motor de busca, anúncios, mapas, aplicativos, YouTube e Android, lê-se na Business Insider.

As entidades como a Google Fiber, a Google Ventures e a Google Capital vão passar a ser geridas como empresas externas. Os novos segmentos serão divididos no início de 2016.
“Uma imagem mais verdadeira”
Colin Gillis, analista de tecnologia da BGC Partners, disse que a medida iria permitir aos investidores avaliar melhor os negócios da empresa.

“Vai dar às pessoas uma imagem mais verdadeira da natureza e das especificidades da operação principal da Google”, afirmou ao jornal britânico The Guardian.

Alguns analistas ficaram céticos em relação ao nível de clareza que a alteração dava às finanças da Google.

“No balanço a notícia é positiva, uma vez que oferece transparência ao negócio da Google e sugere que a empresa está à procura de maneiras para equilibrar os interesses dos fundadores e funcionários com os dos investidores”, escreveu o analista Brian Wieser, da Pivotal Research.

Também houve quem discordasse da decisão e sugerisse outras opções. “Odeio dizer isto, mas faz sentido a Alphabet comprar o Twitter, não a Google”, publicou Mitchell Holder, especialistas em media digitais, na rede social.
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