Aberta a guerra entre as gasolineiras
Está lançada a polémica em torno da venda de combustíveis. ANAREC acusa hiper-mercados de venderem produtos de qualidade inferior e ultrapassados. Estes reagem e garantem qualidade do combustível. APED apresenta queixa-crime contra ANAREC.
"A qualidade do combustível de marca branca, à venda nos hipermercados, não é comparável à qualidade dos combustível de marca", sublinha Virgílio Constantino.
Essa qualidade inferior justificaria, na perspectiva da ANAREC, a diferença, que ainda é substancial, do preço de venda ao público nos postos de gasolina situados nos hiper-mercados.
"É vendido mais barato porque é um produto base, sem qualquer aditivo, estando tecnologicamente ultrapassado há décadas e desfasado das exigências tecnológicas dos motores fabricados hoje", explica.
Grupo "Mosqueteiros" recusa acusação
O Grupo dos "Mosqueteiros" já veio defender-se pugnando pela qualidade do seu produto que, segundo afirma, tem de ter qualidade semelhante já que o combustível é adquirido pelo grupo nos mesmos postos de venda em que as tradicionais gasolineiras o adquirem.
"Se o nosso combustível é adquirido aos principais fornecedores, então adquirimos combustíveis líquidos nos mesmos terminais de carga que os das companhias - como Galp, BP ou Repsol - ou seja, a nossa qualidade de produtos é equiparada à (destas) companhias".
Este grupo, que detém marcas como o Ecomarché, possui uma empresa especialmente vocacionada para a gestão da área dos combustíveis que é a Alcapetro.
Ora, de acordo com o grupo Mosqueteiros, a Alcapetro tem os mesmos fornecedores que as grandes companhias petrolíferas, nomeadamente a Galp, a BP ou a Repsol.
Fácil é compreender, afirma o comunicado do grupo, que a Alcapetro rege-se "pelas mesmas normas no que diz respeito à aquisição dos produtos petrolíferos, o que, por si só, garante a qualidade da nossa oferta".
O ordenamento jurídico que rege a actividade das entidades que comercializam os combustíveis em território nacional , quer no que diz respeito às companhias petrolíferas, quer no que diz respeito às empresas de distribuição, é o mesmo com o mesmo decreto-lei a regulamentar o sector.
Preços muito mais acessíveis
É um facto que a venda de combustível nos postos explorados pelos hiper-mercados é substancialmente inferior ao praticado pelas empresas tradicionais e pelas grandes petrolíferas.
Esta terça-feira, por exemplo, a Gasolina 95 octanas vendia-se nos postos da GALP a €1,229, na BP a €1,159 e na REPSOL a €1,196. Se o condutor optasse, por exemplo, pelo Ecomarchê de Alenquer poderia comprar a gasolina 95 a €1,139.
Quanto à gasolina 98 octanas poder-se-ia comprar combustível na GALP a €1,284, enquanto na BP se vendia a €1,264 e na REPSOL a €1,359. Optando pelas marcas brancas o condutor poderia abastecer a viatura a €1,204 no Ecomarché da Merceana ou a €1,195 no Jumbo de Alfragide.
O Gasóleo, por seu turno, mais acessível, poderia ser obtido a €0,954 nos postos da GALP, a €0,938 nos da REPSOL ou a €0,949 nos da BP. Em caso de opção pelos hiper-mercados, e a título de exemplo, no Jumbo de Alfragide vendia-se o litro a €0,899.
Uma opção cada vez maior entre os portugueses
Em época de crise, de poupanças forçadas das famílias, estas procuram os locais em que atestar o depósito constitua o menor encargo possível. É já habitual aos fins-de-semana, nos postos explorados pelos hiper-mercados, ver-se longas filas de condutores esperando pacientemente pela sua vez de abastecer a viatura.
O abastecimento neste tipo de postos de combustível é já uma forte opção dos condutores portugueses, constituindo uma clara concorrência aos postos de combustíveis explorados pelas grandes companhias petrolíferas.
O grupo Mosqueteiros explica a diferença de preços praticados quando comparados com os postos das grandes gasolineiras.
"São inferiores face aos preços de referência do mercado porque é política e apanágio do grupo zelar pelo compromisso que tem com os seus clientes, o que se traduz em vender barato com qualidade".
APED apresenta queixa-crime contra ANAREC
Também a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) veio a terreiro, reagindo às declarações de Virgílio Constantino. A associação defende a qualidade do produto que distribui quer às grandes companhias petrolíferas quer às empresas associadas a grandes espaços comerciais.
José António Rousseau, director-geral da APED, anunciou mesmo publicamente a intenção de apresentar uma queixa-crime contra o presidente da ANAREC. As declarações do homem forte da ANAREC são consideradas pela APED como "difamatórias" e "ultrapassam o razoável e aquilo que é sério", considerando que a "única forma de reagir é por via dos tribunais".
Coincidentemente com as afirmações do Grupo dos Mosqueteiros, José António Rousseau vem reafirmar a qualidade dos combustíveis que são comercializados pelas empresas que estão associadas em torno da sua organização, invocando para tal o mesmo argumento já anteriormente utilizado pelo comunicado do grupo detentor do Ecomarchê, ou seja, de que "as respectivas fontes de aprovisionamento de combustível são as mesmas que as dos restantes operadores deste mercado".