Accionistas da SLN avançam com reestruturação e separam área financeira dos restantes negócios
Lisboa, 08 Fev (Lusa) - Accionistas com posições relevantes na Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que controla o Banco Português de Negócios (BPN), estão a avançar com a reestruturação do grupo, separando as áreas financeiras das não-financeiras, num processo iniciado ainda antes das investigações do Banco de Portugal.
As duas áreas passaram já a ter responsáveis autónomos, com a área financeira do grupo a ficar sob a responsabilidade de José Oliveira e Costa, presidente do conselho de administração do BPN e accionista do grupo, enquanto a área não-financeira fica a cargo de Franquelim Alves, ex-administrador da Cinvest, holding de Luís Silva, que recentemente integrou o grupo.
Os dois responsáveis pela SLN têm em comum o facto de terem integrado governos do PSD: Oliveira e Costa foi secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, quando Miguel Cadilhe foi ministro das Finanças e Aníbal Cavaco Silva primeiro-ministro, enquanto Franquelim Alves foi, como independente, secretário de Estado Adjunto do ministro da Economia, que era Carlos Tavares, quando José Manuel Durão Barroso foi primeiro-ministro.
Outro dos objectivos da reestruturação que está a ser feita é clarificar a estrutura accionista do grupo, que tem como holding a SLN, que detém, por sua vez, diversas empresas sub-holdings, cada uma delas dedicada a sectores como o financeiro (através do BPN), turístico (SLN Investimentos), de saúde (GP Saúde), da indústria e transportes (Pleíade) e agro-industrial (Partinvest).
A principal accionista da SLN é uma outra holding, a SLN Valor, que por sua vez é detida por diversos empresários que também controlam participações directas na SLN.
O principal accionista da SLN Valor, por exemplo, é Manuel Eugénio Neves dos Santos, com uma participação de 15,24 por cento, mas o empresário do sector da construção civil controla, também, directamente, 1,98 por cento da SLN.
Também o empresário Joaquim Coimbra detém uma participação de 10,67 por cento da SLN Valor e, depois, directamente, uma posição de 1,87 por cento na própria SLN.
Estes são dois dos accionistas que pretendem avançar com a reestruturação que começou com o convite a Franquelim Alves para integrar o grupo.
O presidente do BPN, Oliveira e Costa, controla 3,05 por cento da SLN Valor e, ainda, 3,86 por cento da SLN, da qual é o segundo maior accionista.
Assim, se reflectirmos as participações de cada um destes accionistas da SLN Valor na SLN, vemos que Neves dos Santos detém 6,77 por cento da empresa, sendo o seu maior accionista, Joaquim Coimbra controla 5,22 por cento e Oliveira e Costa possui 4,82 por cento.
Diversas fontes contactadas pela agência Lusa afirmam que o processo de reestruturação do grupo estava já em curso antes das investigações iniciadas pelo Banco de Portugal, depois de uma denúncia de alegado branqueamento de capitais no BPN.
A denúncia terá chegado, por via anónima, às entidades de supervisão do sistema financeiro e mercado de capitais, ou seja, ao Banco de Portugal e à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
O banco nega que haja qualquer assunto deste teor em que possa estar envolvido, defendendo-se também de noticias relativas a "off-shores" ligadas a operações bancárias alegadamente realizadas pelo banco e falta de informação sobre quem são os accionistas da SNL, a "holding" do grupo.
"Sobre esta matéria [falta de transparência relacionada com os beneficiários efectivos das sociedades offshores] prestou e presta toda a informação que lhe é solicitada pelo Banco de Portugal", garantiu o BPN.
No mesmo comunicado diz que "é falsa a informação de que a estrutura accionista da SLN não seja conhecida", e que "no âmbito da prestação de informação, relacionada com o exercício de supervisão, esta tem sido regularmente fornecida ao Banco de Portugal e outras entidades a que está obrigado"