Acções de concessionárias de auto-estradas brasileiras registam fortes descidas
As acções de empresas concessionárias registaram quarta-feira fortes descidas, na sequência do anúncio do Governo brasileiro de suspender a realização de novos concursos para privatização de 2.600 quilómetros de auto-estradas.
As acções ordinárias da Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), part icipada da portuguesa Brisa, fecharam a sessão a registar uma descida de 7,2 por cento, negociadas a 25,50 reais (9,17 euros). Já as acções da concessionária OHL, participada do Banco Privado Portug uês (BPP) registaram uma descida ainda maior, de 12,33 por cento para 28,49 reai s (10,25 euros).
O Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovesp a), encerrou a sessão de quarta-feira com uma valorização de 0,78 por cento.
A realização de concursos públicos para privatização de sete auto-estra das, entre elas algumas das mais movimentadas do Brasil, foi adiada diversas vez es, nos últimos anos, pelo Governo do presidente Lula da Silva.
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, avançou quarta-feira, entreta nto, que o presidente Lula da Silva está preocupado com os preços das portagens e estuda a criação de uma empresa estatal para administrar as auto-estradas. A imprensa brasileira salientou, no entanto, que uma das razões que ter ia levado à desistência da privatização de auto-estradas foi a polémica gerada d urante a campanha eleitoral das eleições presidenciais, em Outubro.
Durante a campanha, o presidente Lula da Silva, reeleito para mais um m andato, criticou as privatizações do Governo do seu antecessor Fernando Henrique Cardoso, nomeadamente nos sectores de telecomunicações e energia.
"Portanto, conceder à iniciativa privada as auto-estradas poderia ser v isto como incoerência com o discurso de campanha eleitoral", escrevia quarta-fei ra o jornal o Estado de São Paulo.
A CCR, participada em 17,9 por cento pela portuguesa Brisa, já havia ma nifestado o seu interesse em disputar os concursos públicos para administrar pel o menos duas auto-estradas.
As auto-estradas que não mais serão objectos de concurso público estão localizadas nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito San to, Paraná e Santa Catarina.
Essas auto-estradas são consideradas pelos especialistas do sector as m ais rentáveis do Brasil para os investidores privados por causa do grande tráfeg o registado.
Actualmente, o Brasil tem 36 concessionárias privadas que administram c erca de 9,7 mil quilómetros de auto-estradas em todas as regiões.
Criada em 1998, a CCR é uma holding líder na administração de auto-estr adas na América Latina, com cerca de 1.445 quilómetros, num total de seis conces sionárias no Brasil.
A CCR tem 28,9 por cento de seu capital no mercado bolsista e o control o é dividido entre os grupos brasileiros Andrade Gutierrez, Camargo Correa e Ser veng-Civilsan e a Brisa.
A OHL Brasil é a terceira maior administradora de auto-estradas no Bras il, sendo participada em cinco por cento pelo fundo de investimentos Kendall, cr iado em 2004 pelo BPP no Brasil. O fundo adquiriu uma participação de cinco por cento na OHL Brasil, num investimento de 21 milhões de euros, na sequência de uma OPA realizada pela con cessionária no mercado brasileiro.