Economia
Acordo técnico para resgate grego chega às bancadas do Parlamento
Deu entrada, durante a noite, no Parlamento de Atenas o projeto de lei sobre o acordo técnico negociado com os credores internacionais da Grécia. É um texto de 400 páginas de ambiciosas metas orçamentais e draconianas medidas de austeridade que o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, quer ver ratificado até às primeiras horas de sexta-feira. Alemães e finlandeses já vieram avisar que preferem a exaustividade à rapidez.
“A exaustividade passa à frente da rapidez” - Steffen Seibert, porta-voz da chanceler alemã, sintetizava desta forma, na terça-feira, o gelo de Berlim perante o anúncio de um acordo técnico obtido em Atenas para o terceiro programa de resgate do Estado helénico.São quatro as instituições que formam agora o
conglomerado de credores da Grécia: Banco Central Europeu, Mecanismo
Europeu de Estabilidade, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional.
A própria Angela Merkel, noticiou a agência noticiosa grega ANA, fez já saber a Alexis Tsipras que quer a chancelaria quer o Ministério das Finanças de Wolfgang Schäuble conservam reservas de fundo. Fê-lo no segundo telefonema para Atenas em 48 horas.
Para Belim, a solução preferível passaria por um empréstimo-ponte: uma injeção que viabilizaria o reembolso de 3,4 mil milhões de euros ao BCE, algo que a Grécia terá de fazer até dia 20 de agosto.
Seguindo a mesma pauta, também o homólogo finlandês de Schäuble, Alexander Stubb, se apressou a sublinhar que “ainda há trabalho a fazer sobre os detalhes” do acordo aventado a partir da capital grega. Uma posição adaptável ao discurso da Comissão Europeia, que chamou a atenção para a necessidade de promover a “avaliação política” de um acordo “a nível técnico”.
Por sua vez, o Governo do Syriza e dos Gregos Independentes dá por concluída a porção essencial do que virá a ser um resgate financeiro de aproximadamente 85 mil milhões de euros. Com uma lista de reformas, estipula o projeto de lei agora remetido ao Parlamento grego, que pode ir “até aos 86 mil milhões”.
“Não é o texto definitivo”
Num comunicado ontem conhecido, o Executivo grego congratulava-se por poder agora “assegurar”, com o acordo alcançado ao cabo de uma derradeira maratona negocial de 22 horas num hotel de Atenas, “a cobertura dos reembolsos de empréstimos” nos próximos três anos – o calendário do novo programa de resgate.
E o ministro grego das Finanças, Euklides Tsakalotos, afirmava na manhã de terça-feira que haviam ficado por acertar apenas “um ou dois detalhes”.
A expensas do ceticismo alemão, as 400 páginas do projeto de lei que abre caminho ao resgate já repousam sobre as mesas dos grupos parlamentares gregos. Sob um título longitudinal – Ratificação do projeto de acordo de financiamento pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade e das reformas para a aplicação do acordo de financiamento - o texto pode ser votado já na quinta-feira. É pelo menos essa a vontade de Tsipras.
O primeiro-ministro escreveu à presidente do Parlamento, Zoe Konstantopoulou, a pedir uma reunião plenária para amanhã, tendo em vista a votação do documento. Alexis Tsipras gostaria de ver a análise prévia a começar esta quarta-feira.
O projeto foi publicado no portal do Parlamento na Internet. Com uma mensagem em anexo: “Não é o texto definitivo”.
Reformas, cortes e metas
Debaixo da lupa de uma câmara de maioria fraturada está um projeto de lei com ambiciosas metas orçamentais para um país esgotado por sucessivos pacotes de austeridade.“Fonte europeia”, citada pela France Presse, acenava na noite de terça-feira com a possibilidade de o acordo técnico do resgate grego não receber a chancela do Eurogrupo antes do dia 20 de agosto.
Nas folhas de cálculo do Ministério grego das Finanças terá de figurar um défice primário (saldo do Orçamento excluindo pagamentos de dívida) de 0,25 por cento do PIB ainda em 2015, seguindo-se excedentes primários de 0,5 por cento em 2016, de 1,75 por cento no ano seguinte e de 3,5 por cento em 2018.
Acrescem a estas fasquias medidas de monta como, por exemplo, a pulverização da maioria dos mecanismos de reforma antecipada, o agravamento de impostos, temperado pela redução ou supressão de algumas taxas, e as reformas do sector dos transportes, do mercado do gás e até mesmo das regras de comercialização de bens como pão e leite.
Face ao teor deste projeto, a contestação far-se-á por certo ouvir fora das paredes do Parlamento. A organização sindical comunista PAME já veio apelar a uma manifestação, na quinta-feira, contra “um armagedão para os trabalhadores e as classes populares”.
Alexis Tsipras, esse, mostra-se cada vez mais pragmático. “A gravidade da situação exige uma reunião imediata do plenário parlamentar tendo em vista os procedimentos necessários para ratificar o acordo e o pagamento de uma primeira tranche”, escreveu o governante na carta a Zoe Konstantopoulou.
A própria Angela Merkel, noticiou a agência noticiosa grega ANA, fez já saber a Alexis Tsipras que quer a chancelaria quer o Ministério das Finanças de Wolfgang Schäuble conservam reservas de fundo. Fê-lo no segundo telefonema para Atenas em 48 horas.
Para Belim, a solução preferível passaria por um empréstimo-ponte: uma injeção que viabilizaria o reembolso de 3,4 mil milhões de euros ao BCE, algo que a Grécia terá de fazer até dia 20 de agosto.
Seguindo a mesma pauta, também o homólogo finlandês de Schäuble, Alexander Stubb, se apressou a sublinhar que “ainda há trabalho a fazer sobre os detalhes” do acordo aventado a partir da capital grega. Uma posição adaptável ao discurso da Comissão Europeia, que chamou a atenção para a necessidade de promover a “avaliação política” de um acordo “a nível técnico”.
Por sua vez, o Governo do Syriza e dos Gregos Independentes dá por concluída a porção essencial do que virá a ser um resgate financeiro de aproximadamente 85 mil milhões de euros. Com uma lista de reformas, estipula o projeto de lei agora remetido ao Parlamento grego, que pode ir “até aos 86 mil milhões”.
“Não é o texto definitivo”
Num comunicado ontem conhecido, o Executivo grego congratulava-se por poder agora “assegurar”, com o acordo alcançado ao cabo de uma derradeira maratona negocial de 22 horas num hotel de Atenas, “a cobertura dos reembolsos de empréstimos” nos próximos três anos – o calendário do novo programa de resgate.
E o ministro grego das Finanças, Euklides Tsakalotos, afirmava na manhã de terça-feira que haviam ficado por acertar apenas “um ou dois detalhes”.
A expensas do ceticismo alemão, as 400 páginas do projeto de lei que abre caminho ao resgate já repousam sobre as mesas dos grupos parlamentares gregos. Sob um título longitudinal – Ratificação do projeto de acordo de financiamento pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade e das reformas para a aplicação do acordo de financiamento - o texto pode ser votado já na quinta-feira. É pelo menos essa a vontade de Tsipras.
O primeiro-ministro escreveu à presidente do Parlamento, Zoe Konstantopoulou, a pedir uma reunião plenária para amanhã, tendo em vista a votação do documento. Alexis Tsipras gostaria de ver a análise prévia a começar esta quarta-feira.
O projeto foi publicado no portal do Parlamento na Internet. Com uma mensagem em anexo: “Não é o texto definitivo”.
Reformas, cortes e metas
Debaixo da lupa de uma câmara de maioria fraturada está um projeto de lei com ambiciosas metas orçamentais para um país esgotado por sucessivos pacotes de austeridade.“Fonte europeia”, citada pela France Presse, acenava na noite de terça-feira com a possibilidade de o acordo técnico do resgate grego não receber a chancela do Eurogrupo antes do dia 20 de agosto.
Nas folhas de cálculo do Ministério grego das Finanças terá de figurar um défice primário (saldo do Orçamento excluindo pagamentos de dívida) de 0,25 por cento do PIB ainda em 2015, seguindo-se excedentes primários de 0,5 por cento em 2016, de 1,75 por cento no ano seguinte e de 3,5 por cento em 2018.
Acrescem a estas fasquias medidas de monta como, por exemplo, a pulverização da maioria dos mecanismos de reforma antecipada, o agravamento de impostos, temperado pela redução ou supressão de algumas taxas, e as reformas do sector dos transportes, do mercado do gás e até mesmo das regras de comercialização de bens como pão e leite.
Face ao teor deste projeto, a contestação far-se-á por certo ouvir fora das paredes do Parlamento. A organização sindical comunista PAME já veio apelar a uma manifestação, na quinta-feira, contra “um armagedão para os trabalhadores e as classes populares”.
Alexis Tsipras, esse, mostra-se cada vez mais pragmático. “A gravidade da situação exige uma reunião imediata do plenário parlamentar tendo em vista os procedimentos necessários para ratificar o acordo e o pagamento de uma primeira tranche”, escreveu o governante na carta a Zoe Konstantopoulou.