Açores preveem défice de 112 ME e abrandamento do crescimento do PIB em 2027
O Governo dos Açores estima um défice de 112 milhões de euros (ME) e um abrandamento do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 1,7% em 2027, segundo a anteproposta de Orçamento da região para o próximo ano.
De acordo com os documentos a que agência Lusa teve acesso, o Governo dos Açores estima um crescimento da economia regional de 2% em 2025 e projeta uma redução do crescimento de 1,8% para 2026 e de 1,7% em 2027 e uma subida de 1,8% em 2028.
"Para 2026 projeta-se 1,8%, idêntico aos 1,8% previstos pelo Banco de Portugal para a economia nacional, o que interrompe o diferencial favorável dos dois anos anteriores. Em 2027 e 2028, o crescimento regional situar-se-á em 1,7% e 1,8%, dentro do intervalo de 1,6% a 1,8% projetado para Portugal pelas instituições nacionais e internacionais", lê-se na anteproposta de Orçamento da região para 2027.
O Governo dos Açores reconhece que a "evolução do indicador de atividade económica regional reflete, sobretudo, o comportamento do turismo, principal componente das exportações da região", numa altura em que as dormidas turísticas estão a cair há 11 meses consecutivos.
"O abrandamento da procura turística nos mercados emissores europeus, num contexto de encarecimento da energia e dos transportes aéreos, limita o contributo externo para o crescimento em 2026. Neste enquadramento, a manutenção da trajetória prevista depende, em maior grau, da procura interna regional", defende o governo açoriano.
A anteproposta de Orçamento para 2027 prevê um défice de 112 ME e um saldo primário negativo (descontando os pagamentos dos juros da dívida) de 37 ME, além de um endividamento de 107 ME (que ainda poderá sofrer alterações devido às transferências do Estado).
O Governo Regional prevê, também, um aumento da receita fiscal de 78,1 ME em 2027 para um total de 1.046 ME (um aumento de 8,1% face a 2026), estimando arrecadar 260 ME de IRS e 80 ME de IRC, um aumento de 4% e 3,9%, respetivamente.
Segundo os cenários macroeconómicos, o ritmo de crescimento das exportações e importações deverá cair em 2027 para 3,1% e 2,4%, respetivamente, enquanto o valor previsto para aqueles indicadores em 2026 situa-se nos 3,4% (exportações) e 5,6% (importações).
Trata-se de valores inferiores à subida das exportações e importações registada em 2025, estimada em 5,4% e 6,7%.
Também o crescimento do consumo privado deverá abrandar para 2,4% em 2027 (quando em 2026 a previsão aponta para 2,8%), tal como o consumo público que deverá passar de 2,1% para 1% no próximo ano.
O Governo Regional prevê um aumento da taxa de desemprego (de 4,9% em 2025, para 5,2% em 2026 e 5,4% em 2027) e uma diminuição no crescimento da remuneração média por trabalhador (de 6% em 2025, para 4,9% em 2026 e 4,7% em 2027).
Já a taxa de inflação na região deverá baixar para 2,2% em 2027 (menos 0,4 pontos percentuais do que o previsto para 2026), segundo as projeções do executivo açoriano.
A discussão e votação do Plano e Orçamento dos Açores para 2027 vai acontecer em novembro na Assembleia Legislativa Regional, na cidade da Horta, na ilha do Faial.
Antes de dar entrada na Assembleia Regional, as antepropostas são enviadas para os Conselhos de Ilha e para o Conselho Económico e Social dos Açores para a emissão de parecer.