ACP acusa Autoridade da Concorrência de não fazer o trabalho que os portugueses querem (c/áudio)
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Lisboa, 08 Out (Lusa) - O presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP) acusou hoje a Autoridade da Concorrência de "não fazer o trabalho que os portugueses querem", desvalorizando as críticas daquela entidade ao estudo sobre o preço dos combustíveis divulgado pelo ACP.
Na segunda-feira, o Automóvel Clube de Portugal apresentou um estudo que questiona o relatório apresentado em Junho pela Autoridade da Concorrência (AdC), defendendo a necessidade de intervenções "fracturantes" no sector e referindo o que diz ser a ineficácia da entidade reguladora.
Um dia depois, no Parlamento, o presidente da AdC, Manuel Sebastião, desvalorizou este estudo, afirmando que se trata de uma "apreciação de um escritório de advogados ao relatório da Autoridade da Concorrência de Junho" que "não põe em causa a análise jusconcorrencial" feita pela Autoridade.
Em declarações hoje à agência Lusa, o presidente do ACP, Carlos Barbosa, disse que as "declarações do presidente da AdC [na Assembleia da República] estão correctas do ponto de vista dele".
"Ele [Manuel Sebastião] pode dizer o que quiser. Ele não consegue fazer o trabalho que os portugueses querem e portanto é natural que ele diga que isto é apenas uma apreciação", frisou.
Carlos Barbosa disse ainda não "perceber" porque razão a próxima análise da AdC ao mercado dos combustíveis só vai ficar terminada em Março de 2009.
"Só há uma coisa que não consigo perceber, porquê só em Março de 2009. Ele [Manuel Sebastião] terá explicações que eu desconheço", sublinhou o presidente do ACP.
Em defesa do estudo, o presidente do ACP recusou que se trate apenas de uma apreciação, defendendo que é um "estudo profundo, feito durante quatro meses e com vários indicadores".
Prometeu ainda levar "mais documentação", na próxima visita do ACP ao parlamento.
Com base no estudo divulgado segunda-feira, o ACP disse que os indícios de concertação no mercado dos combustíveis ibérico são "claros" e devem suscitar a intervenção da Comissão Europeia.
"Tudo sugere a concertação ao nível das petrolíferas, mas também ao nível das bombas de gasolina. Estes indícios devem ser analisados pela Comissão Europeia", defendeu o presidente do ACP, Carlos Barbosa.
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