Adiado para terça-feira debate parlamentar no Chipre sobre resgate europeu
Nicósia, 18 mar (Lusa) - O debate e votação parlamentar sobre o resgate europeu ao Chipre, que prevê taxas sobre os depósitos bancários, foi adiado para terça-feira, anunciou hoje o presidente do parlamento cipriota, Yiannakis Omirou.
A votação, prevista inicialmente para hoje à tarde, foi adiada para terça-feira às 16:00 de Lisboa (18:00 em Nicósia), disse Omirou aos jornalistas.
Trata-se do segundo adiamento depois de no sábado os ministros das Finanças da União Europeia terem aprovado um plano de resgate para a ilha, que previa taxas de 6,7 por cento para os depositantes com poupanças inferiores a 100 mil euros e de 9,9 por cento para depósitos superiores a esse montante.
Hoje, a agência de notícias espanhola EFE noticiou que o Governo cipriota terá acordado com os credores um projeto de lei que prevê taxas mais baixas para os pequenos depositantes.
Citando, sob anonimato, fontes próximas do processo negocial, a EFE revela que o parlamento de Chipre deverá votar um novo projeto que prevê um imposto extraordinário de 3% para os depositantes com poupanças inferiores a 100 mil euros, em vez dos anteriores 6,7%, e de 12,5% para os depósitos superiores a 100 mil euros em vez dos anteriores 9,9%.
Também hoje, o membro alemão da comissão executiva do Banco Central Europeu, Jörg Asmussen, admitiu a possibilidade de alterações nas condições impostas no sábado pelo Eurogrupo para emprestar dinheiro ao Chipre.
"Este é o programa de ajustamento do Governo cipriota, não é o da `troika` nem de qualquer outro Governo", afirmou Asmussen numa conferência em Berlim, citado pela agência noticiosa francesa AFP.
"Se o Presidente cipriota quiser mudar alguma coisa na taxa sobre os depósitos, está nas suas mãos", acrescentou, dizendo no entanto que este terá "apenas de garantir que o financiamento está intacto", sendo que a contribuição da taxa sobre os depósitos para os cofres do Estado cipriota está estimada em quase 6 mil milhões de euros.
O acordo alcançado na madrugada de sábado pelo Eurogrupo vai permitir ao país receber um empréstimo de 10 mil milhões de euros das entidades internacionais.
Os depositantes deverão ficar em troca do corte nos seus depósitos com ações dos bancos.
Além disto, os juros que seriam pagos pela aplicação das poupanças dos clientes em depósitos são retidas na fonte, como imposto também, e o país é obrigado a aumentar a taxa de IRC de 10% para 12,5%.