Administração da Ambar negoceia entrada de um investidor no capital da empresa
Vila Nova de Gaia, 01 out (Lusa) -- A atual administração da Ambar está a negociar com dois potenciais investidores a entrada no capital da empresa, no âmbito do plano de recuperação a apresentar dia 15 e que prevê a manutenção de 105 dos atuais 140 funcionários.
Em declarações à agência Lusa, o diretor de recursos humanos da emblemática empresa de produtos de papelaria do Porto - que, juntamente com a diretora financeira, foi nomeado pelo tribunal "administrador da devedora, fiscalizado pelos administradores de insolvência" - adiantou que "o plano [de recuperação] pressupõe a entrada de um investidor" no capital da Ambar, no âmbito de uma operação harmónio (redução seguida de aumento de capital).
Segundo adiantou Mário Pinto, ambas as entidades com quem decorrem negociações com vista à entrada no capital são portuguesas, sendo que uma delas opera na mesma área de negócio da Ambar.
O plano de recuperação - entregue há dias no Tribunal do Comércio de Gaia, onde corre o processo de insolvência da Ambar - prevê que o investidor "entre com dois a três milhões de euros, de forma faseada".
O objetivo é tentar relançar a atividade da empresa do Porto, fundada em 1939 pelo comendador Américo de Sousa Barbosa e que chegou a faturar mais de 30 milhões de euros, mas cuja situação financeira se foi degradando nos últimos anos, já sob gestão da filha do fundador.
Muito criticada pelos trabalhadores, que lhe atribuíram a "lamentável proeza de passar de 20 milhões de euros faturados em 2010 para seis milhões em 2012", a gestão da herdeira de Américo de Sousa Barbosa levou um grupo de 30 trabalhadores a, em fevereiro passado, apresentar um pedido de insolvência especial com vista à recuperação da empresa, acusando a então administradora de "incapacidade pessoal, técnica e profissional".
Na sequência deste pedido, os administradores judiciais nomeados pelo tribunal viriam a apresentar um relatório defendendo a inviabilidade e consequente liquidação da Ambar, que, contudo, foi chumbado em assembleia de credores em agosto passado.
Na altura, os credores optaram por votar favoravelmente a apresentação de um plano de plano de insolvência com vista à recuperação da empresa, a traçar pelo diretor de recursos humanos e pela diretora financeira da unidade e a apresentar na próxima assembleia, no dia 15.
Segundo adiantou à Lusa Mário Pinto, o plano prevê ainda a manutenção de 105 dos atuais 140 trabalhadores da Ambar (90 dos quais têm os contratos de trabalho suspensos) e a liquidação, ao longo de meio ano, dos seis meses de remunerações em atraso.
Relativamente aos credores, "pressupõe o perdão parcial da dívida" da empresa, que ronda os 1,6 milhões de euros.