Administração da Ercros emite parecer desfavorável à OPA da portuguesa Bondalti
O conselho de administração da empresa química Ercros emitiu um parecer "desfavorável" à oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela portuguesa Bondalti sobre 100% do capital da espanhola.
Num comunicado enviado hoje à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV), a administração da empresa química catalã pronunciou-se sobre a oferta da Bondalti num relatório aprovado "por maioria" dos seus membros, de acordo com a agência EFE.
Em 10 de fevereiro, a CNMV autorizou esta oferta de compra por parte da portuguesa Bondalti, que se propõe pagar em dinheiro um total de 3,505 euros por cada ação da empresa catalã.
No documento enviado à CNMV, os três membros do conselho de administração da Ercros que são acionistas da empresa declararam a sua intenção unânime de não vender as suas ações, ou seja, o presidente Antoni Zabalza, que possui 100.000 ações (0,109% do capital), o administrador Joan Casas, que é um dos principais acionistas, com 5,5 milhões de ações (6,01%), e Laureano Roldán, que possui apenas 100 ações.
Além disso, a administração lembra que um grupo de cerca de 150 acionistas, representando 27% do capital da Ercros, comunicou publicamente em julho de 2024 a sua vontade irrevogável de não aceitar a oferta e acrescenta que "não tem conhecimento de que ninguém" desse grupo de acionistas "tenha mudado de opinião".
No entanto, a posição do conselho não foi unânime, uma vez que a Lourdes Vega considera "razoável" a contrapartida oferecida e considera a OPA "uma alternativa válida para os acionistas".
Por sua vez, o Eduardo Sánchez assegura que "seria conveniente sugerir ao proponente que um aumento do valor razoável facilitaria o processo" e acrescenta que "o facto de ter reduzido a percentagem de aceitação de 75% para 50% é um bom sinal do seu interesse pela Ercros".
Em março de 2024, a empresa química portuguesa Bondalti lançou uma OPA sobre 100% das ações da Ercros, num valor total que ronda os 329 milhões de euros.
A administração sustenta que a oferta, por não ter sido solicitada, causou uma distorção no desenvolvimento normal da empresa ao longo destes dois anos.
A gestão da Ercros lembra que, no passado, já analisou propostas da Bondalti de integração de ambos os grupos industriais que foram rejeitadas por motivos estratégicos e por desacordo sobre a avaliação das empresas, assegurou num comunicado.
Caso a OPA fosse bem-sucedida, a Ercros "ficaria diluída no organograma empresarial do Grupo José de Mello e perderia a sua relevância num conglomerado muito maior, cujo negócio principal não é a química", afirma o conselho de administração da espanhola.
"A Ercros incorporar-se-ia ao Grupo José de Mello como uma filial no quinto nível do seu organograma (dependendo da Bondalti, filial situada no quarto nível do grupo em relação à sua empresa-mãe), dirigida e gerida a partir desse grupo, perdendo assim relevância dentro de um conglomerado muito maior cujo negócio principal não é a química", advertiu.
Alertou ainda que a OPA prevê "alterar a estrutura financeira do grupo" e que a Ercros "aumente o seu nível de endividamento nos próximos anos".
Apesar da opinião desfavorável da administração, os sindicatos CC.OO. e UGT presentes na Ercros dão a sua opinião "favorável", considerando que a operação "pode contribuir para reforçar a estabilidade, a viabilidade industrial e o futuro do quadro de pessoal", embora sublinhem que "sempre sob o princípio da manutenção do emprego, do respeito pelos direitos laborais e da garantia do diálogo social".
O prazo de aceitação da OPA da Bondalti vai de 12 de fevereiro a 13 de março.