Afreximbank vai domiciliar pagamentos intra-africanos e das Caraíbas
O Afreximbank vai domiciliar "muito em breve" todos os pagamentos intra-africanos e estender essa possibilidade aos países da Comunidade das Caraíbas (Caricom), anunciou hoje em Acra o presidente do Banco Africano de Exportação e Importação.
Benedict Oramah, que intervinha na cerimónia oficial de abertura da 30.ª edição das Reuniões Anuais do Afreximbank (AAM2023), acrescentou que a Associação dos Bancos Centrais da Caricom adotou há dias o Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidação (PAPPSS, na sigla em inglês) "como a sua infraestrutura de pagamento preferida para um projeto-piloto".
Trata-se de um sistema de pagamentos que permitirá aos países africanos efetuarem trocas comerciais entre si, utilizando as suas próprias moedas, e que já opera com nove países mas que até ao final do ano deverá contar com entre 15 a 20 países, segundo Oramah.
O Afreximbank tem orçamentados três mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) para compensar as transações.
"Até agora, 11 Estados-membros da Caricom aderiram ao Afreximbank assinando um Tratado de Parceria", adiantou Oramah, referindo que o banco aprovou um montante de 1,5 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros) para apoiar a Caricom, com planos para "duplicar esse montante num futuro próximo".
"Fazemos isto não porque seja apenas uma coisa agradável de fazer, mas porque uma África e Caraíbas unidas representam uma força mais potente que pode enfrentar as exigências de agora e os desafios do futuro", explicou.
O presidente do Afreximbank destacou ainda o apoio que a instituição está a dar à Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA, na sigla em inglês), a qual criaria a maior zona de comércio livre do mundo em termos de área.
O acordo de livre comércio em África foi aprovado em 2019, entrou em vigor no princípio de 2021 e abrange um mercado com mais de 1.300 milhões de consumidores, que beneficiarão da forte redução das tarifas alfandegárias e das exportações mais livres na região, contando já com 46 dos 54 países africanos que assinaram o documento que criou a AfCFTA.
"O Afreximbank desembolsou mais de 20 mil milhões de dólares [18,3 mil milhões de euros] entre 2017 e 2021 e prevê duplicar este montante para 40 mil milhões de dólares [36,6 mil milhões de euros] no período de 2021 até 2026", destacou.
Percorrendo os 30 anos de história do banco, o presidente do Afreximbank salientou que desde então a instituição desembolsou mais de 100 mil milhões de dólares (91,5 mil milhões de euros).
"Todos os africanos devem orgulhar-se de que uma semente lançada há 30 anos com menos de 150 milhões de dólares [137 milhões de euros ao câmbio atual] em ativos totais e um montante quase igual de capital próprio tenha florescido numa instituição com cerca de 32 mil milhões de dólares [29,2 mil milhões de euros] em ativos totais e garantias e cerca de 6 mil milhões de dólares [5,4 mil milhões de euros] em fundos de acionistas", frisou.
"Uma instituição que registou apenas cerca de 12 milhões de dólares [10,8 milhões de euros] em receitas totais, em 1995, obteve mais de 1,5 mil milhões de dólares [1,3 mil milhões de euros] em 2022. Estes resultados são indicativos das oportunidades em África", acrescentou.
Benedict Oramah afirmou que encara o futuro "com confiança" e declarou que o Afreximbank "duplicará a sua dimensão para 60 mil milhões de dólares [cerca de 55 mil milhões de euros] em menos de seis anos".
O Afreximbank, instituição financeira pan-africana criada em 1993, está reunido em Acra, capital do Gana, até esta quarta-feira para debater, entre outros temas, a continuação da consolidação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA, na sigla em inglês).
Em Acra assinala-se ainda o 30.º aniversário do Afreximbank, criado sob os auspícios do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e financiador dos governos africanos e empresas privadas no apoio ao comércio intra-africano.
A reunião decorre sob o tema "Concretizar a visão: Construir a prosperidade para os africanos", e centra-se no comércio africano, no financiamento do comércio e em questões de desenvolvimento, incluindo a aplicação da AfCFTA.