Agência elimina limitação às emissões de gases com efeito de estufa nas centrais
A Agência de Proteção Ambiental (EPA) norte-americana divulgou na segunda-feira que vai revogar as regras que limitam as emissões de gases com efeito de estufa, que causam o aquecimento global, provenientes de centrais elétricas alimentadas a carvão e gás natural.
A alteração à regra, inicialmente proposta no ano passado, representa uma mudança fundamental em relação aos esforços dos presidentes democratas Joe Biden e Barack Obama para combater as alterações climáticas e reduzir a poluição industrial.
Os grupos ambientalistas criticaram a medida, afirmando que vai prejudicar a saúde dos norte-americanos e degradar ainda mais o ambiente, noticiou a agência Associated Press (AP), que antecipou também batalhas judiciais após a entrada em vigor da nova regra.
A revogação da regra para as centrais elétricas da era Biden permitiria poupar mais de 300 mil milhões de dólares em custos para o setor e ajudar a libertar a energia norte-americana, de acordo com a EPA.
A mudança permitirá que as empresas de energia tomem as melhores decisões para os seus consumidores, em vez de serem forçadas a fechar centrais antigas ou ineficientes, sublinhou o administrador assistente da EPA, Aaron Szabo.
A proposta, que deverá ser oficializada no próximo ano, surge na sequência de uma ação anterior da EPA, realizada este ano, que revogou uma conclusão científica que há muito servia de base central para a atuação dos EUA na regulação das emissões de gases com efeito de estufa e no combate às alterações climáticas.
A medida de fevereiro eliminou todos os padrões de emissão de gases com efeito de estufa para automóveis e camiões.
O novo plano aplicaria uma lógica semelhante para uma reversão mais ampla das regulamentações climáticas dirigidas a fontes fixas, como as centrais elétricas.
Anúncio surge também numa altura em que autoridades energéticas se reúnem para encontro do G20
As centrais termoelétricas alimentadas a carvão, gás e petróleo são responsáveis por cerca de um quarto de toda a poluição climática dos EUA, ficando apenas atrás do setor dos transportes.
A poluição proveniente destas centrais é uma das maiores fontes globais de poluição que altera o clima.
As normas visadas pela EPA sob a administração liderada por Donald Trump poderiam evitar cerca de 30 mil mortes e gerar uma poupança de 275 mil milhões de dólares por cada ano em que estivessem em vigor, segundo um estudo da AP realizado no ano passado, que incluiu avaliações anteriores da própria agência e várias outras pesquisas.