Agravamento da crise internacional surpreendeu Governo e afetou crescimento

São Paulo, 06 mar (Lusa) - O agravamento da crise internacional no segundo semestre de 2011 surpreendeu o Governo brasileiro e causou problemas à indústria, que influenciaram negativamente o crescimento económico do país, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Lusa /

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,7 por cento em 2011, abaixo dos 3,2 por cento esperados pelo Governo, segundo dados divulgados hoje pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Numa conferência hoje em Nova Iorque após a divulgação do PIB de 2011, Mantega afirmou que o Brasil adotou uma política monetária "mais restritiva" no começo de 2011, com juros altos, para combater um surto inflacionário, mas o agravamento da crise intensificou a concorrência internacional de produtos manufaturados, e obrigou o país a inverter a medida e baixar os juros.

A ação, somada à concessão de linhas de crédito à indústria, diminuiu o ritmo de queda do crescimento do PIB no último trimestre do ano passado, mas não foi suficiente para que ele chegasse ao patamar de 3 por cento.

Mantega também criticou a política monetária de países desenvolvidos que injetam dinheiro na economia para sair da crise e provocam, segundo disse, "uma guerra cambial". na sexta-feira, a Presidente Dilma Rousseff voltou a criticar essa medida.

"O Brasil é um dos mercados consumidores mais dinâmicos do mundo, que não está sendo aproveitado pela produção industrial, porque vários países exportadores de manufaturas estão reduzindo o preço de suas mercadorias de forma extraordinária, e fazendo concorrência desleal", disse Mantega.

O ministro, no entanto, está otimista em relação ao crescimento deste ano, e prevê 4,5 por cento de aumento do PIB, realçando que as suas maiores preocupações são a desaceleração da economia global e a "guerra cambial".

Por isso, o Governo deve adotar outras medidas para motivar o crescimento, além do corte da taxa de juros e das linhas de crédito. Segundo Mantega, uma delas é a adoção de práticas `antidumping`, como medidas de salvaguarda contra concorrência desleal na Organização Mundial do Comércio.

Outra ação anunciada pelo ministro é a tentativa de diminuição do `spread` bancário (a diferença entre o que os bancos cobram aos clientes e o que pagam para se financiar) no Brasil.

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