AIG recebe mais 30 mil milhões para escapar ao colapso

O Departamento do Tesouro prepara-se para injectar mais 30 mil milhões de dólares no gigante norte-americano dos seguros AIG, a somar aos 150 mil milhões desbloqueados desde Setembro do ano passado. O grupo segurador encaixou uma quebra de 61,7 mil milhões de dólares no quarto trimestre de 2008, tendo encerrado o ano com uma perda global de quase 100 mil milhões.

RTP /
A quebra por acção da AIG acentuou-se para 22,95 dólares Justin Lane, EPA

“A degradação brutal do mercado do crédito e os encargos relacionados com a reestruturação em curso” são os argumentos invocados pelo grupo norte-americano AIG para explicar a degradação sem precedentes das contas em 2008.

A AIG fecha o exercício de 2008 com perdas líquidas de 99,3 mil milhões de dólares (78,95 mil milhões de euros). Nos derradeiros três meses do ano, a quebra foi de 61,7 mil milhões de dólares (49 mil milhões de euros), um recuo que leva o Tesouro a acudir uma vez mais ao gigante do sector dos seguros.

Na carteira de clientes da AIG figuram mais de 100 mil entidades, incluindo grandes e pequenas empresas, instituições financeiras e estruturas de poder local. O grupo gere também fundos de pensões em 130 países, uma dispersão de operações que leva o Tesouro dos Estados Unidos a alertar para os riscos globais de um eventual colapso da AIG.

Custo da inacção “seria extremamente elevado”

No momento em que a cúpula da AIG revelava o volume de perdas em 2008, o Governo Federal vinha anunciar a intenção de injectar mais 30 mil milhões de dólares (23,82 mil milhões de euros) no grupo, através do plano de resgate do sector financeiro TARP (Troubled Asset Relief Program).

“O custo potencial para a economia e para o contribuinte de uma inacção do Governo seria extremamente elevado”, sublinha o Departamento do Tesouro num comunicado partilhado com a Reserva Federal.

Os 30 mil milhões de dólares a aplicar no socorro à AIG somam-se aos 150 mil milhões que o grupo já recebeu desde Setembro de 2008, quando o naufrágio do Lehman Brothers prenunciava um terramoto financeiro de alcance planetário.

O apoio concedido ao grupo segurador, em troca de uma tomada de participação federal na ordem dos 79,9 por cento, é quase três vezes maior do que os pacotes desbloqueados para as instituições Citigroup e Bank of America.

Melhorar a “qualidade dos activos da AIG"

O Tesouro preconiza “uma reestruturação ordenada” do grupo segurador, um processo que abre caminho à separação “das actividades não centrais da AIG” e visa “o reforço financeiro da empresa”.

A Administração pretende reajustar a sua participação no grupo com a aquisição de “novas acções preferenciais em termos revistos, mais parecidas com acções comuns”. O objectivo, frisa o comunicado do Tesouro, é melhorar “a qualidade dos activos da AIG”.

PUB