AIP defende "prioridade absoluta" à ligação Lisboa-Badajoz-Madrid

A Associação Industrial Portuguesa (AIP) defendeu hoje "prioridade absoluta" para a ligação de tráfego misto em alta velocidade Lisboa-Badajoz-Madrid, e perspectiva uma nova matriz para a rede ferroviária portuguesa.

Agência LUSA /

Em comunicado, o presidente da associação, João Rocha de Matos, defende "que seja dada prioridade absoluta à construção da nova linha de bitola europeia e alta velocidade [e que seja a única de alta velocidade, 300/350 km/hora], apta para o tráfego misto, ligando Lisboa e Badajoz a Madrid".

A segunda prioridade seria "a nova linha (Ó) ligando Porto a Salamanca e articulando-se com os portos de Leixões e Aveiro", refere a AIP, defendendo que esta seja, "desde já, negociada com Espanha num contexto de futura rede peninsular em conjunto com a ligação Lisboa- Badajoz".

O Governo tem actualmente como prioridades as ligações por TGV Lisboa-Madrid e Lisboa-Porto, sendo as restantes Porto-Vigo, Aveiro- Salamanca e Faro-Huelva, estando esta última ainda dependente de estudos.

No plano do anterior Governo, a linha Porto-Vigo estava apontada como a que arrancaria primeiro, em 2009, mas o seu começo foi adiado nos planos do actual Executivo.

No comunicado divulgado hoje, João Rocha de Matos considera que "a modernização da rede ferroviária actual e a conjuntura económica e social do país exigem que se façam opções integradoras, satisfazendo as necessidades de médio prazo".

Desta forma, a questão do comboio de alta velocidade (TGV), acrescenta, "deverá ser analisada na óptica de uma estrutura que integre não só o transporte ferroviário, mas também o aéreo, o transporte rodoviário e marítimo, os portos e o denominado `cluster do mar`".

A orientação para o traçado do TGV estabelecida pela associação passa por uma linha prioritária em alta velocidade (300/350 km/hora) e as restante de velocidade elevada (200/260 km/hora), "o que permite uma economia de recursos e atingir os mesmos objectivos funcionais e estratégicos".

Assim, a matriz desenhada pela AIP inclui quatro eixos: um "eixo atlântico (200/260 km/hora), da Galiza ao Algarve, aproveitando os cerca de três mil milhões de euros de investimentos já realizados, ligando Corunha a Faro, servindo as principais cidades do seu percurso [Ó], servindo os principais aeroportos e articulando-se com os principais portos".

Quanto ao "eixo ibérico" (300/350 km/hora), iria unir a região de Lisboa às de Madrid, da Catalunha, da comunidade valenciana e à Europa meridional (Ó), e servindo as cidades principais do seu percurso".

O "eixo europeu (200/260 km/hora) ligaria o nordeste peninsular às regiões do Norte Centro de Portugal ao Norte de Espanha e à Europa, e à região de Madrid, servindo as principais cidades do seu percurso".

Por último, a AIP aponta um "eixo turístico (200/260 km/hora), "que una o Algarve à Andaluzia e, a partir daí, através do TGV espanhol, à região de Madrid, com origem em Faro/Aeroporto".

João Rocha de Matos considera que esta solução apresentada "satisfaz as necessidades do país, no médio prazo, e apresenta-se como a mais acessível em termos de investimento a realizar nos próximos anos".

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