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Alemães arrefecem expectativas sobre medidas contra a crise

Alemães arrefecem expectativas sobre medidas contra a crise

No início de uma semana que se antevia decisiva para o futuro da Zona Euro, a Alemanha veio, uma vez mais, deitar um balde de água fria sobre as expectativas. Berlim rejeitou que venham a ser anunciadas medidas de grande alcance nas reuniões que Angela Merkel deverá ter esta semana com o Presidente francês e com o primeiro-ministro grego na capital alemã. Paralelamente, o Bundesbank voltou a condenar a compra de dívida soberana pelo Banco Central Europeu, que muitos consideram a melhor solução, a curto prazo, para estabilizar os mercados e fazer baixar os juros.

RTP /
Alemanha "desmantela" o euro. Trabalhadores desmontam uma escultura do euro com 15 metros, que desde há onze anos se erguia frente a um terminal do aeroporto de Frankfurt. A escultura do artista alemão Ottmar Hoerl é uma réplica exata da que se encontra em frente da sede do BCE e foi desmantelada porque o aeroporto necessitava de espaço para ampliação das instalações Fredrik Von Erichsen, EPA

O poderoso Banco Central da Alemanha veio a público dizer que continua crítico em relação aos planos do BCE para intervir nos mercados a fim de reduzir a pressão dos juros sobre as dívidas de Espanha e de Itália.

A reação do Bundesbank pretende ser uma resposta ao relatório mensal do Banco Central Europeu, divulgado esta segunda-feira, em que se diz que o volume de compra da dívida “poderia ser ilimitado e, em todo o caso, deveria ser suficiente”.

Para o Banco Central Alemão, o plano do BCE equivale a financiar monetariamente os governos, em violação do que diz a lei europeia.
Bundesbank "continua crítico"

“O Bundesbank continua crítico em relação à compra de obrigações soberanas da Zona Euro, que acarreta riscos consideráveis para a estabilidade”, diz uma nota da instituição chefiada por Jens Weidmann.

“As decisões sobre uma possível mutualização ainda mais vasta dos riscos de solvência deve ancorar-se na política financeira, ou seja, nos governos e parlamentos, e não deve ser levada a cabo através dos balanços dos bancos centrais”, diz a nota, reafirmando a que tem sido a posição inabalável do banco central germânico.

Estas considerações do Bundesbank provocaram de imediato fortes críticas do ministro da Indústria de Itália, Corrado Passera, que acusou o Banco Central Alemão de “desestabilizar” os mercados com os seus comentários.
Comunicações "incoerentes e pertubadoras"
Passera disse que as críticas do Bundesbank em relação ao BCE “não honram aqueles que as fazem” e acrescentou que “recentemente tem havido um excesso de comunicações incoerentes e perturbadoras que também têm desestabilizado os mercados”.

Mas nem só as críticas do Banco Central Alemão vieram esta segunda-feira fazer tremer os mercados.

O governo alemão, que geralmente tem por regra não comentar política monetária, veio a público criticar rumores. Neste caso, rumores de uma medida que, segundo a revista Der Spiegel, estaria a ser estudada pelo BCE.

De acordo com a Der Spiegel, o banco central da Europa estaria a preparar-se para definir um valor limite para o spread praticado nas dívidas dos países a braços com a crise, ou seja, a diferença entre as taxas de juro da Alemanha e as desses Estados. Seria esse valor limite que, no caso de ser excedido, provocaria de imediato uma intervenção automática do Banco Central Europeu através de compras massivas de obrigações soberanas nos mercados.
Berlim: projeto do BCE seria "muito problemático"
Um porta-voz do Ministério alemão das Finanças veio dizer que “nada sabia” sobre um tal projeto, mas que a ser uma realidade este seria “de um ponto de vista teórico muito problemático”.

A informação da Spiegel, muito comentada nos mercados, levou aliás o próprio BCE a quebrar a regra habitual de silêncio sobre as notícias que saem na imprensa.

A instituição liderada por Mario Draghi veio esta segunda-feira esclarecer que ainda não foram definidos - e nem sequer discutidos no Conselho de Governadores - os moldes de uma futura intervenção do BCE no mercado da dívida pública.

“É absolutamente enganador escrever sobre decisões que ainda não foram tomadas”, lê-se no comunicado. “A política monetária é independente e será executada estritamente dentro do mandato do BCE”, acrescenta o texto.

Os “recados” vindos de Berlim destinam-se aparentemente a evitar expectativas excessivas de modo a preservar a margem de manobra do Governo alemão, cada vez mais manietado por questões de política interna no que respeita a medidas para combater a crise da Zona Euro.
Berlim diz que não se devem esperar "decisões essenciais"
Isso mesmo se pode deduzir das declarações do porta-voz do Governo alemão.

Comentando o encontro da próxima quinta-feira entre Angela Merkel e François Hollande e a reunião do dia seguinte entre a chanceler alemã e o primeiro-ministro grego Antonis Samaras, o porta-voz Steffen Seibert disse que “é preciso não esperar [que sejam tomadas] decisões essenciais “.

No que respeita ao Governo de Atenas, o porta-voz do Ministério alemão das Finanças também veio a terreiro refirmar que Berlim “aguarda as conclusões do relatório da troika“ antes de tomar qualquer decisão sobre a Grécia, em particular sobre um eventual prolongamento do tempo dado a Atenas para cumprir os seus compromissos.

É sabido que Antonis Samaras se prepara para pedir mais dois anos, para que o país cumpra as metas a que se comprometeu por ocasião dos resgates internacionais.
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