Almerindo Marques bate com a porta

Almerindo Marques apresentou a sua demissão do cargo de Presidente do Conselho de Administração da empresa Pública Estradas de Portugal alegando dificuldades de tesouraria e alertado para o facto de o modelo de financiamento não garantir a viabilidade da empresa.

RTP /
Almerindo Marques abandona a Estradas de Portugal no dia 31 de Março RTP

A edição electrónica do “Diário de Notícias” torna público que Almerindo Marques entregou a sua carta de demissão no mês passado aos órgãos sociais da empresa pública e tem efeitos ao dia 31 de março. A decisão foi também comunicada ao ministro e ao secretário de Estado das Obras Públicas, responsáveis políticos com a tutela da empresa.

O antigo presidente do conselho de Administração da RTP-SA cumpria o seu segundo mandato para o qual tinha sido nomeado há menos de oito meses, em julho de 2010.

Na sua carta de renúncia, Almerindo Marques invoca como razões para a sua decisão a indefinição do governo quanto ao modelo de financiamento da empresa, urgente na opinião do gestor para fazer face aos pesados encargos de tesouraria, nomeadamente uma renda de 800 milhões de euros pagos anualmente aos concessionários das SCUT.

O gestor demissionário considera que a situação financeira da empresa foi também agravada pelo facto do Estado ter exigido o pagamento de 220 milhões de euros de IVA atrasado, uma verba que, segundo ele, poderia resolver de imediato o défice de tesouraria da empresa.

Almerindo Marques terá chegado à conclusão de que os seus objetivos estratégicos que se tinha proposto concretizar à frente da Estradas de Portugal estavam esgotados e mais não poderia fazer, tanto mais que, segundo fonte próxima do processo citado pelo matutino lisboeta, Teixeira dos santos e a sua equipa do Ministério das Finanças não se revelaram sensíveis às suas exigências e preocupações.

Contactado pelo "Diário de Notícias" o gestor não quis comentar a notícias nem pronunciar-se sobre as relações que tinha com o Ministério das Finanças.
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