Alunos terão de pagar autocarro porque dívida das autarquias é "insustentável"

Os alunos dos municípios de Vila Nova da Barquinha, Cartaxo, Almeirim, Torres Novas, Nazaré e Bombarral correm o risco de ter que pagar o seu título de transporte já a partir de quarta-feira. O alerta vem da própria empresa de transporte, Rodoviária do Tejo, que considera ser a única medida possível, uma vez que o incumprimento do pagamento da dívida por parte das autarquias é “insustentável”.

RTP, com Lusa /

Algumas escolas dos seis municípios já começaram a ser informadas para a eventualidade de, a partir de 01 de fevereiro, os alunos só entrarem nos autocarros da Rodoviária do Tejo se pagarem os respetivos títulos, revelou o presidente da empresa. Em causa está o incumprimento do pagamento da dívida por parte das referidas câmaras municipais.

"Estamos a alertar que a corda vai rebentar. Não é possível continuar a arrastar a situação", afirmou Rui Silva à agência Lusa, sublinhando que neste momento a empresa está com "tolerância zero". De acordo com o responsável, as autarquias foram igualmente alertadas para esta situação limite e a empresa espera que deem "passos concretos" para a resolução do problema até ao início de fevereiro.

"Há reações de Câmaras para tentar arranjar solução para evitar que esse passo limite aconteça, mas é insustentável andarmos continuamente a mendigar que paguem os serviços por nós prestado", afirmou.

A empresa relembra que já no início do ano letivo alertou as autarquias de que "não tinha margem de manobra" e que se corria o risco de serem os estudantes a suportar os custos do transporte escolar, levando a que houvesse alguma recuperação da dívida entre setembro e novembro.

Na altura, a dívida das autarquias rondava os 10,5 milhões de euros, mas em dezembro houve uma inversão da situação, tendo o saldo aumentado em mais de 500 mil euros, segundo presidente da empresa.

De acordo com Rui Silva, dos 43 municípios servidos pela Rodoviária do Tejo apenas em 12 os atrasos nos pagamentos não ultrapassam os três meses, existindo alguns municípios com 22 meses de atraso, com a agravante de que "nem sequer avisam quando vão entrar em incumprimento" nos planos de pagamento entretanto acordados.

Segundo o responsável, as empresas estão a viver "uma situação limite" e já não têm condições para continuar a "financiar o sistema", sob o risco de porem em causa o pagamento de salários e enfrentarem conflitualidade social.
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