Ambientalistas pressionam Portugal para defender moratória na Pesca de arrasto

A plataforma para a conservação dos fundos oceânicos apelou ao envolvimento de Portugal na defesa de uma moratória sobre pesca de arrasto em alto mar, cuja decisão final será tomada pelas Nações Unidas em Novembro.

Agência LUSA /

O objectivo da moratória é suspender este tipo de pesca até que a capacidade de regular e fiscalizar as frotas seja mais desenvolvida.

Representantes daquela plataforma, que congrega mais de 50 organizações internacionais e às quais se juntaram hoje as três principais associações ambientalistas portuguesas, estiveram em Lisboa a convite da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento para apelar ao governo português que tome um posição clara sobre esta matéria.

"Portugal tem um papel determinante nas negociações que estão em curso ao nível da União Europeia, mas às vezes questionamo-nos sobre se as instruções estão a ser ditadas por Lisboa ou por Madrid", declarou Remi Parmentier da Warda uma das organizações que integra a plataforma.

Para os responsáveis da plataforma, Espanha, que representa cerca de 40 por cento do total mundial de capturas realizadas com arrastos de fundo em alto mar, tem sido um dos principais obstáculos a estas negociações, tentando impedir a adopção de medidas contra este tipo de pesca por parte da ONU.

Monika Verbeek, responsável da organização não governamental Seas-at-risk, sublinhou que Portugal tem estado sempre a apoiar Espanha, mas comentou que as 12 embarcações portuguesas que se dedicam à pesca de arrasto representam menos de um por cento da frota pesqueira nacional e apenas 2,2 por cento dos pescadores inscritos.

A pesca de arrasto fundo é considerada uma das técnicas de captura mais destrutivas já que afecta os ecossistemas existentes nos montes submarinos e nos corais de água fria que são mais vulneráveis do que os das zonas costeiras.

Este tipo de pesca é praticado normalmente a 500 ou mil metros de profundidade, mas pode ir até aos dois mil.

"Devido à sobre-exploração dos recursos pesqueiros, as frotas comerciais têm procurado oportunidades para explorar áreas cada vez mais profundas", explicou Remi Parmentier.

Os montes submarinos albergam espécies de corais e peixes muito diversificadas, mas que têm características que os tornam particularmente vulneráveis como o facto de viveram mais anos e se reproduzirem mais tarde.

Parmentier comparou o fundo do mar à Amazónia em termos de biodiversidade e alertou que a probabilidade de extinção é bem maior nas águas profundas.

Para Mathew Gianni, outro representante da plataforma, "é possível pescar em águas profundas, mas de forma sustentável, recorrendo às artes tradicionais".

Granadeiros, imperadores, tubarões, alfonsinhos, ou red-fish, são algumas das espécies de peixes ameaçadas por esta técnica de captura.

O investigador português Ricardo Serrão Santos apontou os Açores como um bom exemplo de gestão de pescas ao proibir a pesca de arrasto e as redes de emalhar nas suas águas territoriais.

Os Açores, Madeira e Canárias são as únicas regiões europeias onde esta técnica de captura é interdita.

A moratória sobre arrasto de fundo em alto mar foi apresentada à ONU em 2004, mas só no final deste ano deverá haver uma decisão final sobre uma eventual suspensão.

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