Analistas consideram que saída do sector do PSI 20 se deveu a falta de liquidez
Lisboa, 07 Fev (Lusa) - A falta de liquidez financeira é a principal razão apontada por analistas contactados pela Lusa para que todos os grupos de media tenham abandonado, em cerca de ano e meio, a lista das 20 maiores empresas portuguesas na Bolsa.
Com a substituição, no passado dia 1, da Impresa pela Teixeira Duarte, o PSI 20, o principal índice da bolsa portuguesa, deixou de integrar qualquer empresa do sector dos media.
O PSI 20 incluía, até Julho de 2006, três empresas de media: Media Capital, Cofina e Impresa.
"Tem havido muito pouca liquidez nesse sector", admitiu à Lusa o analista da Lisboa Broker John dos Santos, lembrando que, no primeiro caso - Media Capital -, a saída deveu-se à compra da empresa por parte da espanhola Prisa.
Tanto a Media Capital como agora a Impresa "tinham um free-float [acções que podem ser livremente negociadas no mercado] muito reduzido", o que "diminui muito o interesse" dos investidores, explicou.
Para um outro analista, do BCP Investimento, a ausência no PSI 20 das empresas de media pode provocar uma ainda maior redução da sua liquidez.
"Estar no PSI 20 cria uma maior liquidez [até porque] é mais fácil usar acções para investimento", disse, prevendo, no entanto, que a situação não se altere muito.
"Estar no PSI 20 é um pouco como estar na primeira liga do futebol: os que estão em último ou penúltimo lugar não têm grande diferença em relação aos primeiros da liga de honra".
Segundo este analista, a saída das empresas de media do índice PSI 20 trará, aliás, consequências "mais mediáticas" para o sector do que reais.
"Estar no PSI 20 implica alguns custos, não só financeiros, mas em termos de informação ao mercado", referiu.
Além disso, acrescentou, "a exigência pública é maior" até porque muitos grandes investidores "compram carteiras de todas as empresas do PSI 20".
Também John dos Santos considera que, agora que a Impresa saiu, "não vai haver tanta exigência" em relação às empresas do sector porque "a sua visibilidade reduziu-se".
Mas para John dos Santos, este afastamento poderá ter outra consequência.
"Em teoria, seria natural que voltasse uma onda de fusões e aquisições que já caracterizou o sector dos media", avançou, reconhecendo que este cenário "será difícil" de concretizar porque "ou as empresas têm cash-flow suficiente [para adquirir participações noutras] ou será muito complicado financiarem-se no mercado".
Mesmo os grandes grupos europeus de media, que o analista da Lisbon Brokers admite terem interesse nas empresas portuguesas, deverão manter-se afastados por enquanto, já que "não vão apostar nisso num momento tão volátil".
Ainda assim, referiu, a abertura do concurso de Televisão Digital Terrestre (TDT) - prevista para este mês - poderá renovar o interesse no sector.
A revisão anual ordinária do PSI 20, que substitui a Impresa pela construtora Teixeira Duarte, torna-se efectiva na sessão de 4 de Março.