Angola parceiro estratégico insubstituível de Portugal
A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação portuguesa disse hoje, em Luanda, que Angola é um parceiro estratégico insubstituível de Portugal, na relação bilateral, regional e multilateral.
Na sua primeira visita a Angola na qualidade de secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Ana Xavier referiu que Portugal quer aprofundar a cooperação com este país africano lusófono indo ao encontro da ambição do próximo Programa Estratégico de Cooperação (PEC), que responda de forma ainda mais estratégica aos ensejos dos dois países.
Ana Xavier referiu que o PEC 2023/2027 já ultrapassou as melhores expectativas, com um resultado de execução que ascendeu a 70 milhões de euros, acrescendo 187 milhões através de créditos.
"São números que nos responsabilizam para assim olharmos para o próximo PEC 2027/2031 com uma ambição renovada, mas sobretudo (...) em alinhamento com as prioridades definidas em conjunto com Angola e com os planos nacionais de desenvolvimento angolanos", referiu.
A governante portuguesa realçou a presença de Portugal em Angola com mais de 1.250 empresas investidoras nos domínios do emprego, formação e investimento, mais de 3.700 empresas que exportam para Angola e uma comunidade composta por 130 mil portugueses, mas também mais de 90 mil angolanos em Portugal, segundo dados de 2025.
Com uma parceria baseada no respeito mútuo e confiança, os dois países pretendem reforçar uma cooperação "mais pragmática, ambiciosa, orientada para resultados", salientou a governante portuguesa.
Nesta visita, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação faz-se acompanhar da presidente do Instituto Camões, Ângela Pereira.
Ana Xavier adiantou que uma missão técnica está já preparada para vir a Angola para o balanço do PEC em vigor e preparação do próximo.
Capital humano, saúde, formação, juventude, modernização administrativa, justiça, agricultura e cultura são as áreas identificadas em conjunto para ir ao encontro das prioridades do Governo angolano.
Ana Xavier agradeceu o apoio de Angola a Portugal na sua candidatura bem-sucedida a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, cujo mandato se iniciará em 2027.
Por sua vez, o secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Vieira Lopes, destacou o ritmo "muito bom de visitas de alto nível" entre os dois Estados, salientando que o PEC é um instrumento orientador, cujas áreas que cobre pretendem ver aceleradas na sua execução.
"A nossa proposta é que reforcemos a coordenação entre as nossas equipas técnicas para identificarmos rapidamente qualquer constrangimento e garantirmos que o impacto seja efetivamente para as nossas populações", referiu.
Domingos Vieira Lopes destacou, em especial, o setor da educação, que conta com o apoio de Portugal através do "Programa Saber Mais", fundamental para a capacitação dos professores angolanos.
"Recebemos com muito agrado a vossa proposta de inaugurarmos conjuntamente o centro dos recursos da escola do Magistério Mutu Ya kevela financiado pelo Instituto Camões. Da nossa parte há total disponibilidade, vamos articular com o Ministério da Educação para encontrarmos a melhor data", frisou, salientando que importa a sustentabilidade do projeto.
Além da educação, Angola pretende ainda mais parcerias entre empresas angolanas e portuguesas e com transferência de tecnologia, formação dos quadros da administração pública, com intercâmbio de boas práticas, bem como a valorização da língua portuguesa, através de intercâmbio académico e científico.
No plano multilateral, Angola valoriza muito a concertação com Portugal na ONU (Organização das Nações Unidas), na União Europeia e na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).