Economia
Antiga PT SGPS quer comprar as próprias ações
A Pharol quer avançar com a compra de ações próprias, confirmou esta manhã a empresa em comunicado à Comissão de Mercado e Valores Mobiliários. A antiga PT SGPS, hoje apenas detentora de dívida do GES e de uma participação na brasileira Oi, procura aumentar a sua atratividade e inverter a tendência bolsista. Desde o fim de maio, quando passou a chamar-se Pharol, perdeu quase 40 por cento do valor em bolsa.
À noite nas capas, de manhã no regulador. Está confirmada a informação avançada por Palha da Silva ao Diário Económico. A Pharol quer mesmo comprar as suas próprias ações. Legalmente, a empresa pode adquirir até dez por cento das participações.
A proposta será agora apresentada em Assembleia Geral de Acionistas, depois de ter sido tomada na reunião da Comissão Executiva de quinta-feira.
A compra de ações próprias tenta devolver dinheiro aos acionistas, uma forma de dar uso ao dinheiro que está nos cofres e de aumentar a atratividade da empresa, num momento em que se mantém a queda nas ações.
A compra de ações
Ao comprar as suas próprias ações, a empresa torna-se proprietária da própria empresa. Neste caso, de parte dela. A questão pode parecer confusa, mas tem sido usada por diferentes empresas, na esperança, por exemplo, de aumentar a cotação da companhia ou de impedir o sucesso de operações públicas de aquisição.
“Neste momento, parece-nos uma das formas mais interessantes de devolver dinheiro aos acionistas, até porque estamos a fazer contas aos excedentes de tesouraria que possa haver”, explicou o presidente da Pharol, em entrevista ao Económico.
Neste caso, a empresa adquire ações em bolsa, contribuindo para reduzir o número de ações negociadas. Perante menor oferta e maior procura, preveem as leis do mercado, que o valor aumente.Esta operação, que atribui rendimento aos acionistas sem distribuir dividendos, insere-se na estratégia que o presidente da Pharol define para a empresa.
A compra de ações é ainda utilizada por empresas com disponibilidade de tesouraria, mas sem ativos que lhe pareçam interessantes para investir. A companhia prefere usar esse valor para devolver liquidez aos acionistas.
“Temos algum excedente de tesouraria de caixa para devolver aos acionistas quando não é absolutamente necessário para cumprir responsabilidades”, avança Palha da Silva.
Esta operação, que atribui rendimento aos acionistas sem distribuir dividendos, insere-se na estratégia que o presidente da Pharol explicou na entrevista ao Económico: devolver os excedentes de tesouraria aos acionistas, gerir bem os ativos pelos quais é responsável e ter uma estrutura reduzida para não afetar a rentabilidade da empresa.
Recuperar dívida da RioForte
A RioForte ficará para sempre associada ao descalabro da PT SGPS. A revelação do investimento de 900 milhões de euros em papel comercial do Grupo Espírito Santo conduziu à renegociação dos termos da fusão com a Oi. O operador lusófono, com que o outrora melhor CEO da Europa sonhava, era arrastado pela corrente.
A fusão dava lugar à “combinação de negócios” com a Portugal Telecom. Meses mais tarde, a Oi aprovava a venda do operador português, dono do Meo e do Sapo, aos franceses da Altice. A holding PT SGPS perdia qualquer ligação com o operador PT Portugal.Cada título da PT SGPS valia mais de três euros em março de 2013. Em 2004, negociava acima dos dez euros. As ações da Pharol estavam a negociar esta sexta-feira abaixo dos 30 cêntimos.
Em maio, perdia também o nome e esclarecia qualquer dúvida: a Pharol nada tem a ver com a PT. É apenas detentora, direta e indiretamente, de 27,5 por cento da Oi e de 900 milhões de euros em dívida da insolvente RioForte.
Em maio, antes da mudança de nome, as ações da empresa negociavam acima dos 50 cêntimos, tendo descida cerca de 40 por cento em dois meses. Descidas pesadas, mas que não foram as piores: o verdadeiro descalabro aconteceu antes.
A empresa quer recuperar o crédito da RioForte, com a comissão de credores para a recuperação de credores a ser constituída, provavelmente, em setembro. “A obtenção da certificação de todas as dívidas, conhecer exatamente a dimensão que tem a dívida total da RioForte e quem são os credores é o que nos ocupa mais tempo”, explica o presidente da empresa.
Entretanto, a companhia avança com um processo para responsabilizar os antigos administradores. Uma ação inédita em Portugal. Até ao momento, a empresa pretende processar quatro administradores, mas admite que a lista fique maior.
Ao estarem envolvidos os responsáveis pela compra de aplicações do Grupo Espírito Santo, a lista deverá abranger Zeinal Bava e Henrique Granadeiro.
Reportagem de Inês Subtil, Carlos Matias, Sara Cravina - RTP
Na entrevista ao Económico, o presidente da Pharol admite alguma frustração pelas coisas não terem corrido como previstas, lamentando as interferências externas, nomeadamente a nível político.
Palha da Silva admite que a Pharol venha a ser extinta mais tarde. “Uma vez resolvidos os temas, como o da RioForte, não se justificaria muito ter uma empresa”, confessa. Qualquer decisão, sublinha, caberá sempre aos acionistas.
A proposta será agora apresentada em Assembleia Geral de Acionistas, depois de ter sido tomada na reunião da Comissão Executiva de quinta-feira.
A compra de ações próprias tenta devolver dinheiro aos acionistas, uma forma de dar uso ao dinheiro que está nos cofres e de aumentar a atratividade da empresa, num momento em que se mantém a queda nas ações.
A compra de ações
Ao comprar as suas próprias ações, a empresa torna-se proprietária da própria empresa. Neste caso, de parte dela. A questão pode parecer confusa, mas tem sido usada por diferentes empresas, na esperança, por exemplo, de aumentar a cotação da companhia ou de impedir o sucesso de operações públicas de aquisição.
“Neste momento, parece-nos uma das formas mais interessantes de devolver dinheiro aos acionistas, até porque estamos a fazer contas aos excedentes de tesouraria que possa haver”, explicou o presidente da Pharol, em entrevista ao Económico.
Neste caso, a empresa adquire ações em bolsa, contribuindo para reduzir o número de ações negociadas. Perante menor oferta e maior procura, preveem as leis do mercado, que o valor aumente.Esta operação, que atribui rendimento aos acionistas sem distribuir dividendos, insere-se na estratégia que o presidente da Pharol define para a empresa.
A compra de ações é ainda utilizada por empresas com disponibilidade de tesouraria, mas sem ativos que lhe pareçam interessantes para investir. A companhia prefere usar esse valor para devolver liquidez aos acionistas.
“Temos algum excedente de tesouraria de caixa para devolver aos acionistas quando não é absolutamente necessário para cumprir responsabilidades”, avança Palha da Silva.
Esta operação, que atribui rendimento aos acionistas sem distribuir dividendos, insere-se na estratégia que o presidente da Pharol explicou na entrevista ao Económico: devolver os excedentes de tesouraria aos acionistas, gerir bem os ativos pelos quais é responsável e ter uma estrutura reduzida para não afetar a rentabilidade da empresa.
Recuperar dívida da RioForte
A RioForte ficará para sempre associada ao descalabro da PT SGPS. A revelação do investimento de 900 milhões de euros em papel comercial do Grupo Espírito Santo conduziu à renegociação dos termos da fusão com a Oi. O operador lusófono, com que o outrora melhor CEO da Europa sonhava, era arrastado pela corrente.
A fusão dava lugar à “combinação de negócios” com a Portugal Telecom. Meses mais tarde, a Oi aprovava a venda do operador português, dono do Meo e do Sapo, aos franceses da Altice. A holding PT SGPS perdia qualquer ligação com o operador PT Portugal.Cada título da PT SGPS valia mais de três euros em março de 2013. Em 2004, negociava acima dos dez euros. As ações da Pharol estavam a negociar esta sexta-feira abaixo dos 30 cêntimos.
Em maio, perdia também o nome e esclarecia qualquer dúvida: a Pharol nada tem a ver com a PT. É apenas detentora, direta e indiretamente, de 27,5 por cento da Oi e de 900 milhões de euros em dívida da insolvente RioForte.
Em maio, antes da mudança de nome, as ações da empresa negociavam acima dos 50 cêntimos, tendo descida cerca de 40 por cento em dois meses. Descidas pesadas, mas que não foram as piores: o verdadeiro descalabro aconteceu antes.
A empresa quer recuperar o crédito da RioForte, com a comissão de credores para a recuperação de credores a ser constituída, provavelmente, em setembro. “A obtenção da certificação de todas as dívidas, conhecer exatamente a dimensão que tem a dívida total da RioForte e quem são os credores é o que nos ocupa mais tempo”, explica o presidente da empresa.
Entretanto, a companhia avança com um processo para responsabilizar os antigos administradores. Uma ação inédita em Portugal. Até ao momento, a empresa pretende processar quatro administradores, mas admite que a lista fique maior.
Ao estarem envolvidos os responsáveis pela compra de aplicações do Grupo Espírito Santo, a lista deverá abranger Zeinal Bava e Henrique Granadeiro.
Reportagem de Inês Subtil, Carlos Matias, Sara Cravina - RTP
Na entrevista ao Económico, o presidente da Pharol admite alguma frustração pelas coisas não terem corrido como previstas, lamentando as interferências externas, nomeadamente a nível político.
Palha da Silva admite que a Pharol venha a ser extinta mais tarde. “Uma vez resolvidos os temas, como o da RioForte, não se justificaria muito ter uma empresa”, confessa. Qualquer decisão, sublinha, caberá sempre aos acionistas.