Antigo administrador responde à maioria das perguntas com "não me recordo"
Lisboa, 17 Mar (Lusa) - O antigo administrador do BPN e presidente do fundo envolvido em dois negócios ruinosos em Porto Rico declarou hoje que não se lembra a quem foi vendido o fundo, por quanto foi vendido e mesmo quem o escolheu para presidir ao mesmo.
"Não me recordo", "não tenho presente", "não lhe posso precisar", "os nomes não me estão a vir à memória" foram várias das frases utilizadas por Francisco Comprido em resposta a perguntas do deputado do CDS-PP Nuno Melo, na comissão de inquérito ao BPN.
Francisco Comprido afirmou que entrou para o grupo BPN em Julho de 2000, passou a administrador do BPN SA em Outubro do mesmo ano e cumpriu um mandato até Dezembro de 2003.
Também disse ter exercido outras actividades no grupo por períodos não superiores a seis meses: administrador do Banco Efisa, administrador da sociedade corretora dois ou três meses e da sociedade gestora de fundos mobiliários, o BPN Fundos, também seis ou sete meses.
O deputado do CDS-PP insistiu nas perguntas sobre a participação de Francisco Comprido no Excellence Asset Fund, um fundo constituído pela SLN para adquirir duas empresas tecnológicas em Porto Rico.
O negócio, que envolveu o então administrador Dias Loureiro e um empresário libanês, El-Assir, resultou em prejuízos para a SLN de pelo menos 38 milhões de euros.
Francisco Comprido disse na comissão ter sido presidente do Excellence Asset Funds, sedeado no Luxemburgo, "entre 2001/2002 até 2002/2003, cerca de ano e meio".
Sobre a actividade do fundo, Francisco Comprido disse lembrar-se de pouco. "Não posso precisar se fui o presidente do fundo desde o início mas posso dizer-lhe que presidi à sua liquidação. Aliás, tenho quase a certeza que estava à frente do fundo desde o início", afirmou.
Também não se recordou com clareza de quem o escolheu para presidir ao fundo. "Não lhe posso precisar por quem fui escolhido para presidir ao fundo, mas penso que foi pelo ex-presidente do banco [Oliveira e Costa]", acrescentou.
Sobre a venda das empresas tecnológicas de Porto Rico, os activos do fundo a que presidiu, Francisco Comprido também disse desconhecer."Não tenho conhecimento a quem foi vendida a [participação do Excellence na] Biometrics. A minha preocupação era assegurar que não havia menos valias no valor do fundo", frisou.
Disse antes que "não foi registado nenhuma menos-valia nem uma mais valia substancial no fundo. Acho que havia activos em dólares e o valor do fundo estava cotado em euros. Por causa da variação cambial houve uma variação positiva insignificante".
"O valor exacto do fundo não lhe posso dar mas posso garantir que as unidades de participação do fundo foram vendidas por igual valor ao que foram compradas. Falou em 35 milhões de dólares. Não discuto o número, mas o fundo não registou qualquer menos-valia", referiu Francisco Comprido.
Confrontado por Nuno Melo com a informação de que a SLN terá registado a venda da participação do Excellence Asset Fund na Biometrics por apenas um dólar, Francisco Comprido disse: "Da SLN não sei, eu era administrador do BPN".
"Quem faz muitos negócios na vida lembra-se geralmente do que correu mal. Aqueles que são fechados e correm bem, caem-nos no esquecimento", sublinhou.