Anulações de subsídio de desemprego disparam em 2018

No ano passado, os centros de emprego cortaram o subsídio a 3932 desempregados, mas acabaram por reverter a decisão em 202 casos. Os números correspondem a um aumento de 67,4 por cento. O aumento das anulações deve-se ao novo modelo de acompanhamento dos desempregados, revela um relatório.

RTP /
Rafael Marchante - Reuters

Depois de três anos a recuar, a anulação de subsídios a desempregados que não cumpriram as obrigações previstas na lei aumentou 67,4% entre 2017 e 2018, revela esta terça-feira o jornal Público.

Esta subida acontece numa altura em que o desemprego registado atingiu o valor mais baixo dos últimos anos e em que o número de desempregados a receber subsídios recuou 14,5 por cento.

Os dados constam do relatório de atividades de 2018 da Comissão de Recursos do Instituto de Emprego e Formação Profissional, que revela que o aumento dos cortes nos subsídios se deve “principalmente” à aplicação do Modelo de Acompanhamento Personalizado para o Emprego (MAPE), introduzido no final de 2016, quando o Governo acabou com o controlo quinzenal dos desempregados.

De acordo com o Público, o relatório diz que passou a haver um contacto mais regular entre os utentes e os serviços e “maior eficácia” no apoio dado a estas pessoas e no controlo do incumprimento das obrigações.

O novo modelo obriga os desempregados a receberem subsídio têm de cumprir um conjunto de outras obrigações, sob pena de verem anulada a inscrição. Obrigações como a apresentação no centro de emprego sempre que forem convocados, a necessidade de aceitar emprego conveniente ou trabalho socialmente necessário e formação profissional.

O relatório revela que a maior parte das anulações (70 por cento) ocorreu porque os desempregados não responderam às convocatórias dos centros de emprego. Os outros motivos de anulação prendem-se com a falta de comparência nas entidades empregadoras (entrevista de emprego, por exemplo), a falta de controlo e a recusa ou desistência de ações de formação profissional.

A recusa de emprego conveniente representa 4 por cento das anulações, assim como a recusa de trabalho socialmente necessário.

Perante o aumento das anulações, aumentou também, em 96 por cento face a 2017, o pedido de intervenção da Comissão de Recursos do IEFP, numa tentativa de reverter a situação. A maioria dos desempregados que reclamaram alegou que não recebeu as convocatórias dos centros de emprego, enviadas por correio, ou não compareceu às obrigações por motivo de doença.

No final de 2018, a Comissão de Recursos tinha analisado 386 recursos e em mais de metade dos casos (52 por cento) acabou por dar razão aos desempregados, o que resultou na reversão de 202 anulações.
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