AOFA critica "aumentos desproporcionados" nos centros sociais do IASFA

| Economia

A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) criticou hoje os aumentos das mensalidades pagas pelos utentes dos centros sociais do Instituto de Ação Social das Forças Armadas (IASFA) e reclamou a demissão da direção.

Em comunicado, o presidente da AOFA criticou o "aumento desproporcionado" do valor das mensalidades em três centros sociais, Oeiras, Porto e Runa (Torres Vedras) decidido através de deliberação da direção do IASFA, publicada na página daquele instituto na Internet.

Segundo o presidente da AOFA, António Mota, cerca de 130 residentes do Centro de Ação Social de Oeiras estão a solicitar ao presidente do IASFA, tenente-general Xavier Matias, que reveja os valores em causa, considerando que são "injustos e desproporcionados".

A deliberação estabelece uma atualização das mensalidades para as Estruturas Residenciais para idosos localizadas em Oeiras, Porto e Runa (Torres Vedras), que entraram em vigor a 1 de março para os novos contratos.

As mensalidades pagas pelos residentes atuais serão atualizadas em duas fases até convergirem com os novos valores, a primeira em julho próximo e a segunda em janeiro de 2018, segundo a deliberação, assinada pelo presidente do Conselho Diretivo do IASFA, tenente-general Xavier Matias.

Em comunicado, a Associação de Oficiais das Forças Armadas refere que as mensalidades já tinham sido aumentadas há dois anos e que, somando esse aumento ao agora previsto, a atualização será de 40%.

"Quem recebe uma pensão de 700 euros não vai poder pagar uma cama de 800", assinalou, em declarações à Lusa, o porta-voz da AOFA, Tasso de Figueiredo.

Para a AOFA, aqueles aumentos constituem um "encapotado processo de `despejo´" dos residentes idosos, já que a "esmagadora maioria" dos utentes "vive de parcas pensões" e não os conseguirão suportar.

O coronel Tasso de Figueiredo adiantou que 132 residentes do centro de Oeiras escreveram à direção do IASFA a solicitar a revisão dos valores.

Admitindo que o IASFA "está numa situação de dificuldade financeira", Tasso de Figueiredo frisou que "os beneficiários não devem ser responsabilizados por isso já que pagaram durante a sua vida para ter direito" àquele apoio.

A AOFA reclamou a intervenção do ministério da Defesa Nacional, afirmando que a situação "é demasiado grave para que quem detém conhecimento e responsabilidade máxima sobre o seu funcionamento se mantenha paciente, sossegada e de forma cúmplice, silencioso, como se nada se passasse".

"Os militares e seus familiares não merecem forma de tratamento diferente e mais gravosa do que os restantes concidadãos", afirmou a AOFA, reclamando que a direção do IASFA seja "destituída e substituída".

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