Apoio de 15 mil euros para elétricos deixa famílias com poucas opções

Apoio de 15 mil euros para elétricos deixa famílias com poucas opções

O apoio do Governo à compra de carros elétricos destina-se a famílias com tarifa social de eletricidade e agregados com rendimentos anuais até 11.572 euros. No mercado português, apenas três modelos podem ser adquiridos pelo valor estipulado pelo Governo.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
O apoio prevê a compra de 5.500 viaturas e há também uma verba destinada às microempresas para adquirir de 13.700 carros elétricos e 700 autocarros. Foto: Andrew Roberts via Unspalsh

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou na segunda-feira que o programa, previsto para o início do próximo ano, vai comparticipar entre 70 e 90 por cento do valor da viatura, até ao máximo de 15 mil euros. Mas, as famílias podem ver reforçado o apoio em mil euros se entregarem um automóvel usado para abate.

O programa aceita candidaturas para veículos novos ou usados com menos de cinco anos, adquiridos obrigatoriamente num concessionário. 

Segundo a informação avançada pela Lusa, o preço dos automóveis poderá ir até 37.500 euros, estando ainda em estudo um financiamento para a aquisição de postos de carregamento.

Contudo, na semana passada, o Jornal de Negócios (JN) analisou os valores e a conclusão aponta para uma oferta mais limitada no segmento de entrada. Ou seja, apenas três automóveis comercializados em Portugal encaixam no limite de preço considerado.

De acordo com o Jornal de Negócios, considerando o patamar de 15 mil euros antes de IVA, apenas a versão mais acessível do Dacia Spring, com um preço de 13.740 euros sem imposto, cumpre o limite. 

Com a majoração associada ao abate, que eleva o patamar para 16 mil euros, poderão juntar-se o Leapmotor T03, a 15.284,5 euros, e o Renault Twingo E-Tech, a 15.845,3 euros.
Programa para 21.500 automóveisFinanciado pelo Plano Social para o Clima, o programa terá uma dotação estimada de 104,5 milhões de euros para apoiar cerca de 5.500 veículos, número que poderá aumentar em mais mil unidades após negociações com Bruxelas.
Destina-se a famílias com tarifa social de eletricidade e agregados com rendimentos anuais até 11.572 euros, sendo dada prioridade aos primeiros. O universo potencial abrange 1,5 milhões de agregados, o dobro dos atuais beneficiários da tarifa social.


A ministra justificou a medida com a necessidade de reduzir "a dependência do diesel", lembrando que mais de 20% das famílias vulneráveis têm automóvel próprio e que uma parte significativa vive no interior ou nas periferias urbanas.

O pacote inclui ainda 228 milhões de euros para apoiar microempresas na compra de 13.700 veículos elétricos e 125,5 milhões para cofinanciar 700 autocarros destinados a territórios de baixa densidade. 

No total, o Governo prevê apoiar mais de 21.500 veículos. A medida que entra em vigor em 2027 surge no âmbito de um mercado em crescimento. 

Nos primeiros nove meses deste ano, foram comprados mais de 54.700 automóveis ligeiros elétricos, superando já o recorde anual de 2025, quando foram matriculadas 52.256 unidades.

Em junho, um concurso de dez milhões de euros para apoiar a compra de elétricos pela população em geral esgotou em poucas horas.

O novo incentivo pretende acelerar a transição energética, mas a limitada oferta de modelos nos patamares de preço mais baixos poderá condicionar o acesso efetivo das famílias mais carenciadas.

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