Após uma década a crescer, capacidade de poupança das famílias começa a diminuir

Após uma década a crescer, capacidade de poupança das famílias começa a diminuir

A habitação, os transportes e a alimentação têm tido um impacto cada vez maior no orçamento das famílias.

Guilherme de Sousa - RTP / Adicionar como fonte informativa
Pexels (Direitos Reservados)

Numa época de incerteza económica, com o custo de vida a crescer influenciado pela subida da inflação, as famílias em Portugal têm cada vez mais dificuldade em gerir o dia a dia. As despesas correntes, como o preço da renda ou do crédito à habitação, são alguns dos fatores que mais pesam na carteira quando se tenta poupar.

No âmbito do Dia Mundial da Poupança, que se assinala este sábado, a Pordata, a base estatística da Fundação Francisco Manuel dos Santos, tentou perceber o para onde vai o dinheiro das famílias.

Os números mostram que, na última década, a poupança até cresceu, mas caiu “em termos reais” no ano passado. “Em 2025, as famílias residentes em Portugal pouparam 26,4 mil milhões de euros, mais 302 milhões de euros do que em 2024, correspondendo a um aumento nominal de 1,1%. No entanto, em valor real, descontando o efeito da inflação, registou-se uma diminuição de 1%”, revela a Pordata.

“A taxa de poupança fixou-se em 12,3% do rendimento bruto em 2025, abaixo dos 12,5% registados em 2024, mas acima dos 12,1% observados em 2020, ano de pandemia em que mais de três quartos dos países da União Europeia atingiram máximos de 15 anos”, acrescenta.

Os dados da Pordata mostram que, nos últimos dois períodos de cinco anos (2016-2020 e 2021-2026) houve um crescimento significativo da taxa de poupança em Portugal: aumentou 53% em termos reais, fixando-se na quinta maior subida entre os 27 países da União Europeia.

Com base nos dados disponíveis referentes a 2024, a Pordata conclui que dois milhões de famílias têm dívidas. A hipoteca da residência principal era “o tipo de dívida mais frequente, abrangendo quase uma em cada quatro famílias”, seguindo-se “empréstimos sem garantia imobiliária, cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários”.

De acordo com o inquérito às despesas das famílias de 2022/2023, detalhado pela Pordata, a habitação consumia quase 40% da despesa total das famílias, além da alimentação (13%) e transportes (12%).




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