Aprovada proposta que condiciona media que tenham desconto no serviço da Lusa

Aprovada proposta que condiciona media que tenham desconto no serviço da Lusa

Uma proposta do Bloco de Esquerda que condiciona a atribuição de benefícios aos media que contratem os serviços da Lusa ao cumprimento de obrigações de transparência e manutenção ou incremento de emprego foi hoje aprovada no parlamento.

Lusa /

A proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2025 (OPE2025) dos bloquistas surgiu na sequência do Plano de Ação para a Comunicação Social e continha dois pontos: um sobre a atribuição de uma compensação à Lusa pela receita perdida através de descontos a órgãos de informação nacionais e locais e outro sobre o condicionamento na atribuição dos benefícios.

O primeiro ponto da proposta foi hoje chumbado pelos deputados da Comissão de Orçamento e Finanças, durante a votação na especialidade do Orçamento do Estado para 2025 (OE2025), mas o segundo foi aprovado com os votos favoráveis do PS, PCP, BE, Livre e PAN e a abstenção do Chega, tendo a Iniciativa Liberal, o PSD e o CDS-PP votado contra.

O texto aprovado prevê, assim, que "qualquer benefício a atribuir" a órgãos de comunicação social que contratem serviços da agência Lusa "é condicionado ao cumprimento das obrigações legais de transparência, ao cumprimento do Contrato Coletivo de Trabalho e à manutenção ou incremento do emprego jornalístico durante o período de vigência do benefício".

O Plano de Ação para a Comunicação Social apresentado pelo Governo no início de outubro prevê descontos de 50% a 75% aos órgãos regionais e locais e de 30% a 50% aos media nacionais no serviço da Lusa.

Na nota justificativa, o BE salienta que ainda que a criação de mecanismos de apoio aos órgãos de comunicação social seja "essencial para a preservação do jornalismo independente, da liberdade de imprensa e do direito a informar e ser informado", há também riscos na medida preconizada pelo Governo, nomeadamente o de "excessiva dependência" dos serviços da Lusa poder comprometer "a desejável pluralidade" editorial do setor.

O BE via ainda o risco de a medida "promover ativamente o despedimento de jornalistas", referindo que o "embaratecimento do recurso a notícias de agência exige uma garantia de que tal recurso não é mobilizado em prejuízo do emprego atualmente existente", tendo apresentado a presente proposta de alteração.

PUB