Armadores de Pesca Industrial criticam chumbo do PE a protocolo com Marrocos
Aveiro, 15 dez (Lusa) - O secretário geral da Associação dos Armadores de Pesca Industrial (ADAPI), António Cabral, considerou hoje "imponderada" a decisão do Parlamento Europeu de não prorrogar o protocolo que permitia que 14 navios portugueses, entre outros, pescassem em águas marroquinas.
"É uma decisão balizada por critérios políticos e que não acautela os interesses da economia europeia das pescas", disse à Lusa António Cabral.
O secretário-geral da ADAPI lembra que Portugal é um dos países europeus que mais ficará a perder com esta decisão já que "era o segundo estado membro com melhor posição neste acordo, a seguir a Espanha".
Segundo o mesmo responsável, o país deixará de contar com as 14 licenças para pescar em águas marroquinas que possuía no âmbito deste acordo.
"É um peso relativo, mas não deixa de ser uma vertente importante dos nossos direitos de pesca em águas de internacionais que se vai perder", afirmou.
O mesmo responsável sublinhou ainda que esta decisão é um "revés importante" para a pequena pesca do Algarve, que operava naquelas águas na captura da pescada negra, e que "irá lesar" a economia dessa zona.
O secretário-geral da ADAPI lamentou também a perda de quota de 1.333 toneladas de sardinela, que, segundo disse, "eram importantes como alternativa para os navios da frota industrial".
O Parlamento Europeu rejeitou na quarta-feira em Estrasburgo, a prorrogação do protocolo ao acordo de pesca entre a UE e Marrocos e instou a Comissão Europeia a velar por que o futuro protocolo respeite plenamente o direito internacional e beneficie todas as populações locais afetadas.