As "laranjas da baía" também vieram da China, mas pela mão dos portugueses, no século XVII

Pequim, 29 nov (lusa) - A sumarenta "laranja da baía" nasceu, afinal, no sul da China, onde lhe chamam "laranja umbigo", e foi levada pelos portugueses para a Europa, no século XVII, e depois para o Brasil, na primeira globalização económica do mundo.

Lusa /

"Nos países do Mediterrâneo oriental, como na Grécia ou Turquia, ainda hoje `laranja` diz-se `portucali`", comentou o embaixador de Portugal na China, José Tadeu Soares, a propósito da exposição "A Aventura das Plantas", inaugurada na quarta-feira numa universidade de Ganzhou, na província chinesa de Jiangxi.

Ganzhou, um município de cerca de nove milhões de habitantes, que se assume como "capital mundial da laranja", produz anualmente mais de mil milhões toneladas daquele fruta.

"Eles aqui até sabem que foi um governador de Macau que levou aquele tipo de laranjas para Portugal e plantou duas laranjeiras em Xabregas (bairro de Lisboa)", contou José Tadeu Soares, que assistiu à abertura da exposição, convidado pelas autoridades locais.

Baseada nas investigações do professor José Eduardo Ferrão, a exposição conta em três línguas (português, chinês e inglês) a história de 25 plantas que há cinco séculos atravessaram continentes e que fazem hoje parte da alimentação global.

"É um dos capítulos menos estudados dos descobrimentos", mas foi dos que teve "reflexos científicos, técnicos, económicos e sociais mais marcantes e duradoiros", realça a exposição, já apresentada em Pequim, em 2011, pelo presidente do Instituto de Investigação Cientifica Tropical (IICT), Jorge Braga de Macedo.

A "aventura" começa na Ásia, a terra do arroz, do chá, da pimenta e da manga, por exemplo, e termina na Europa, de onde os portugueses levaram as uvas para o resto do mundo.

Das Américas vieram nomeadamente a batata, o tabaco, o cacau e o girassol. África deu ao mundo a palmeira e o café.

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