Ascensor da Bica parado no dia em que comemora 120 anos
Lisboa, 28 jun (Lusa) -- O ascensor da Bica, uma das principais atrações turísticas de Lisboa, comemora hoje 120 anos sobre a sua inauguração, mas a data não só não é assinalada como o elevador está parado, até 23 de julho, para obras de manutenção.
"Prevê-se que o ascensor retome o seu serviço normal no próximo dia 23 de julho", informou a Companhia de Carris de Ferro de Lisboa, esclarecendo que "está a ser realizada uma reparação geral do ascensor onde todos os seus componentes são revistos e reparados, ou substituídos, conforme o seu estado de condição".
A intervenção, que inclui ainda as caixas de madeira das cabinas, estava, segundo a empresa "programada para próximo mês de Setembro", mas teve que ser antecipada devido ao facto de "o estado de condição dos rodados ter atingido o limite mínimo de segurança, pelo que não nos é possível manter o ascensor em funcionamento por mais tempo".
A circunstância de as obras de manutenção coincidirem com a passagem dos 120 anos sobre a inauguração do ascensor, a 28 de junho de 1892, é, para o Movimento Cidadania Lisboa "uma demonstração da falta de capacidade de planeamento e de antecipação de problemas por parte da empresa [Carris] e da câmara".
Fernando Jorge, do Movimento, considera "muito triste" que a intervenção não tenha sido "realizada noutra data, permitindo que a efemérida fosse comemorada como acontece com qualquer outro monumento nacional".
Às críticas sobre o período escolhido para paragem, o Movimento junta as de "falta de limpeza dos grafitis" que invadem "um dos principais símbolos da cidade", transmitindo aos turistas uma "triste imagem".
A câmara de Lisboa e a Carris, "deveriam ser menos reativas e mais atuantes em relação aos elevadores que são símbolos turísticos da cidade", defende Fernando Jorge, sugerindo o estabelecimento de parcerias com mecenas "dispostos a custear a sua limpeza periódica".
O Movimento lamenta ainda que "a Carris trate estes elevadores apenas como um transporte para turistas e não fomente a sua utilização pelos lisboetas que teriam muito a ganhar com isso".
A convicção é partilhada pelo historiador Appio Sottomayor, que recordou à Lusa "o tempo em que viajava no elevador por dois tostões", quando este era uma "alternativa de transporte muito barata e útil".
Hoje "os elevadores têm um preço proibitivo que afasta as pessoas", em oposição aos objetivos que levaram à sua implementação.
"Os elevadores foram pensados para resolver, na segunda metade do sec. XIX, o problema da ligação da centralidade da baixa com os pontos altos da ocupação urbana e tiveram um importância fundamental no transporte dos empregados de balcão, bancários e outras profissões, do alto da cidade para a baixa", reforça o historiador Carlos Consiglieri.
Instalado na rua da Bica de Duarte Belo, o funicular, concebido pelo engenheiro português Raoul Mesnier du Ponsard para ligar o Largo do Calhariz e a Rua de São Paulo, foi inaugurado a 28 de junho de 1892.
Propriedade da Companhia de Carris de Ferro de Lisboa, é considerado o mais típico dos ascensores de Lisboa e aquele cujo percurso é mais belo e pitoresco, por atravessar o histórico Bairro da Bica, razão pela qual foi cenário de alguns filmes rodados em Lisboa e também de videoclips musicais.
Com capacidade para transportar 23 passageiros, o ascensor começou por ser movido pelo sistema de contrapeso de água e, em seguida, pelo de `tramway-cab`, mas em 1896 passou a mover-se a vapor e em 1914 procedeu-se à sua eletrificação.
No mesmo ano, sofreu um grave acidente e esteve parado durante nove anos, até 1923. Em fevereiro de 2002, foi reconhecida pelo Estado a sua importância histórica e cultural e foi classificado como Monumento Nacional.