Economia
Assalto britânico ao Brasil. Bolsonaro assenta como uma luva a projeto que busca privatização da energia
O site de jornalismo de investigação Declassified UK estima em 56 milhões de libras (65 milhões de euros) a verba aplicada pelo Reino Unido no Brasil para “agilizar” a abertura do mercado da energia do país. O projeto terá ganho força desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder, com clara abertura abrir da Amazónia ao agronegócio, mineração e exploração madeireira e promessas de uma Petrobras privatizada em uma década.
O site Declassified UK refere claramente que as expressões agilização do mercado ou abertura do mercado são na realidade eufemismos para privatização dos negócios desse sector. E uma das joias da coroa será sempre a Petrobras, a companhia de petróleo brasileira sob controle do governo de Brasília.
A posição oficial será a de que o programa gerido a partir do Prosperity Fund (fundo que visa promover mudanças sistémicas em países parceiros através de uma série de grandes programas) “sofreu uma mudança considerável no contexto político em resultado da mudança de governo no Brasil”.
“As políticas do governo brasileiro mudaram ou tornaram-se mais claras [e com Bolsonaro] tem havido um maior impulso às reformas económicas liberais”, foi referido, de acordo com o site de investigação, que aponta o entusiasmo dos britânicos quando sublinham que o presidente Bolsonaro deu “um impulso no sentido das reformas do setor energético”.
Bolsonaro surge desta forma como o catalisador perfeito para as alterações que os britânicos advogavam no sentido de não apenas entrar no mercado da energia do país, mas avançar igualmente rumo a uma reforma do sector, com a mais do que desejada liberalização – o tal eufemismo para privatização – das suas principais joias. Mormente a Petrobras, que alguns membros do governo brasileiro vêm na esfera privada dentro de uma década.
Nesse sentido, os líderes do programa rapidamente concluíram que “áreas críticas da agenda de reformas do Brasil podem ser amplificadas pelo apoio direcionado dos seus parceiros, incluindo o Reino Unido”.
As contrapartidas são sedutoras: por exemplo, Bolsonaro estará mais do que aberto a privatizar a Petrobras, quando o país tem uma reserva de 12,7 biliões de barris, a segunda maior reserva de petróleo da América do Sul a seguir à Venezuela.
O controle da Petrobras, atualmente nas mãos de Brasília (o Estado brasileiro detém 37 por cento da empresa mas com mais de metade dos votos que a gerem), é assim uma parte de leão muito apetecida para os grupos empresariais internacionais que aguardam a liberalização/privatização do setor, já que agarrar a Petrobras é garantir um monopólio inestimável.
Em Setembro de 2021, o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, admitia que o governo tinha planos para a privatização da Petrobras em uma década, cenário que, um mês depois, Bolsonaro confirmaria como “estando nas nossas ideias”.
Entretanto, com os cerca de 56 milhões de libras, os britânicos procuram desde 2018 apoiar “a abertura económica do Brasil e suas infraestruturas sustentáveis”. Dividido em quatro partes, o projeto claramente aposta na energia com um orçamento de 25 milhões de libras exclusivamente aplicados a esse sector.
Trata-se de um plano que está apontado a funcionar até 2023 e cujo objectivo – refere o Declassified UK – é a “a abertura dos mercados de energia brasileiros”. De acordo com o site, que cita documentos oficiais, a mira britânica está particularmente apontada à privatização do gás e petróleo brasileiros.
A criação de um mercado mais eficiente e competitivo é a capa sob a qual procuram atuar os britânicos nesta matéria, refere o site.
“O Reino Unido está bem posicionado para responder às oportunidades alargadas que provavelmente surgirão se as reformas nestes setores no Brasil forem bem sucedidas”, referem documentos oficiais, de acordo com o Declassified.Bolsonaro, catalisador perfeito para a liberalização
De acordo com a avaliação do Reino Unido, a subida do populista Jair Bolsonaro ao poder só trouxe benefícios ao projeto, relançando os objetivos traçados pelo Reino Unido em relação a esta cooperação com o Brasil.
De acordo com a avaliação do Reino Unido, a subida do populista Jair Bolsonaro ao poder só trouxe benefícios ao projeto, relançando os objetivos traçados pelo Reino Unido em relação a esta cooperação com o Brasil.
A posição oficial será a de que o programa gerido a partir do Prosperity Fund (fundo que visa promover mudanças sistémicas em países parceiros através de uma série de grandes programas) “sofreu uma mudança considerável no contexto político em resultado da mudança de governo no Brasil”.
“As políticas do governo brasileiro mudaram ou tornaram-se mais claras [e com Bolsonaro] tem havido um maior impulso às reformas económicas liberais”, foi referido, de acordo com o site de investigação, que aponta o entusiasmo dos britânicos quando sublinham que o presidente Bolsonaro deu “um impulso no sentido das reformas do setor energético”.
Bolsonaro surge desta forma como o catalisador perfeito para as alterações que os britânicos advogavam no sentido de não apenas entrar no mercado da energia do país, mas avançar igualmente rumo a uma reforma do sector, com a mais do que desejada liberalização – o tal eufemismo para privatização – das suas principais joias. Mormente a Petrobras, que alguns membros do governo brasileiro vêm na esfera privada dentro de uma década.
Nesse sentido, os líderes do programa rapidamente concluíram que “áreas críticas da agenda de reformas do Brasil podem ser amplificadas pelo apoio direcionado dos seus parceiros, incluindo o Reino Unido”.
As contrapartidas são sedutoras: por exemplo, Bolsonaro estará mais do que aberto a privatizar a Petrobras, quando o país tem uma reserva de 12,7 biliões de barris, a segunda maior reserva de petróleo da América do Sul a seguir à Venezuela.
O controle da Petrobras, atualmente nas mãos de Brasília (o Estado brasileiro detém 37 por cento da empresa mas com mais de metade dos votos que a gerem), é assim uma parte de leão muito apetecida para os grupos empresariais internacionais que aguardam a liberalização/privatização do setor, já que agarrar a Petrobras é garantir um monopólio inestimável.
Em Setembro de 2021, o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, admitia que o governo tinha planos para a privatização da Petrobras em uma década, cenário que, um mês depois, Bolsonaro confirmaria como “estando nas nossas ideias”.