Associação da Indústria Papeleira prevê aumento da escassez da madeira

A Associação da Indústria Papeleira (CELPA) afirmou hoje que a "escassez da madeira vai aumentar" e que haverá importação de mais matéria-prima, na sequência dos incêndios no Centro do país, que consumiram mais de 26 mil hectares de área florestal.

Lusa /

Em resposta à agência Lusa, o diretor geral da CELPA, Carlos Amaral Vieira, notou não estarem ainda apuradas as consequências, até porque continuam ativos vários incêndios, mas avançou alguns problemas.

"Temos já uma certeza: a escassez de madeira vai aumentar, a indústria papeleira não pode consumir madeira queimada no seu processo de produção de pastas celulósicas e de papel, e as associadas da CELPA terão de importar mais matéria prima", afirmou o responsável, recordando que atualmente a indústria importa cerca de 200 milhões de euros por ano.

Amaral Vieira lembrou estarem no terreno, "em estreita coordenação e colaboração com a Autoridade Nacional de Proteção Civil", os sapadores florestais da indústria, AFOCELCA, uma estrutura profissional de combate a incêndios florestais nas propriedades das empresas agrupadas, mas que "atua, em 85% dos casos, em propriedades vizinhas".

O responsável avaliou como positivos os resultados dos investimentos, em anos anteriores, da indústria papeleira em ações de silvicultura preventiva, no controlo de vegetação e no combate a incêndios.

"Em 2015, por exemplo, arderam apenas 750 hectares de área sob sua gestão, o que corresponde a 0,4% dessa área", precisou o diretor, referindo que indústria florestal investiu mais de 30 milhões de euros "na prevenção/combate a incêndios".

"No ano passado o investimento na proteção da floresta foi de cerca quatro milhões de euros", informou.

Segundo o último balanço das autoridades, os incêndios no centro do país já provocaram 64 mortos e mais de 200 feridos.

O fogo que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos e já consumiu cerca de 26.000 hectares de floresta, de acordo com dados do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais.

O incêndio começou em Escalos Fundeiros e alastrou depois a Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria.

Desde então, as chamas chegaram aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

No município de Góis, as chamas também deflagraram no sábado.

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